sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Horror Constante No Interior Do Pará


Na terça-feira, 24 de maio, o casal José Cláudio Ribeiro da Silva (54) e Maria do Espírito Santo da Silva (53) foi assassinado na cidade de Nova Ipixuna, no Estado do Pará. O casal tinha um grande envolvimento em protestos contra um grupo de madeireiros que tentavam extrair produtos daquela região, principalmente castanhas do Pará. Por serem considerados revolucionários e o envolvimento em protestos em busca de seus direitos, José e Maria já recebiam ameaças de morte desde o início de Junho do ano passado e fizeram a denuncia à Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Casos semelhantes vêem acontecendo no interior do Pará, tal como em fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Stang, foi brutalmente assassinada em Anapu, no Pará, por lutar por causas parecidas com a que o casal defendia. Muitos dos trabalhadores de regiões desfavorecidas dentro do Estado convivem com o medo e a ameaça de morte por lutarem em busca de melhoria.
Dentro do Estado do Pará desde 1996 até os dias de hoje o número de mortos por protestarem contra causas agrárias é de 205, mais de 800 trabalhadores do campo foram assassinados de forma cruel.
O vereador e amigo do casal João Batista Delmondes do PT diz ter certeza de que o mandato de assassinato do casal foi ordem de alguém que tem profundo interesse em desmatar o assentamento. A irmã de José Cláudio, Claudelice Silva dos Santos também deu depoimento em relação ao caso e diz está disposta a lutar por justiça.
O governador do Estado do Pará, Simão Jatene ficou revoltado com o assassinato do casal e entrou com uma ação para mobilizar o sistema de Segurança Pública do Estado para proteger as regiões que se encontram nesse estado tão violento.
No dia 7 de junho, terça-feira, o Ministério da Justiça e o Exército começaram a ação de proteção aos camponeses com a chegada da Força Nacional de Segurança nos municípios paraenses, sendo a princípio Marabá, Altamira e Santarém.

Trabalho da aluna do Curso de Jornalismo - UNAMA -  Amanda da Silva

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

UM RAIO QUE O PARTA?

Uma “enchente” de opiniões diverge sobre a divisão do Pará

um raio que o parta - divisao_estado, 2011
 
Uma “enchente” de opiniões políticas diverge sobre a divisão do Pará. No dia 5 de maio, a Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou o plebiscito que irá definir o futuro do Pará. De um lado, encontram-se os defensores da integridade do estado, de outro os que defendem a criação dos dois estados: Tapajós e Carajás. Caso aprovada, a divisão do Pará irá influenciar a vida de pouco mais de sete milhões de pessoas. Essas mudanças transcendem a política, o comércio e a cultura.
No interior do Pará, é grande o número de pessoas a favor da divisão do Estado. Segundo Deley Santos, presidente do Partido Verde (PV) de Tucuruí, o número de cidadãos residentes nessas áreas que almejam a descaracterização da atual unidade federativa ultrapassa 90%. “A ausência do poder público é evidente nesta parte (Carajás). Se você for fazer uma pesquisa informal, vai ver que grande parte do povo quer se desmembrar do Pará que conhecemos hoje”, pontua o político, que é marido de Henilda Santos, atual vice-prefeita de Tucuruí.
A discrepância na divisão dos recursos também é um dos pontos levantados pelo ex-deputado estadual. “O governo deveria integrar mais o Estado, tornando-o mais ‘enxuto’. Do jeito que está atualmente, as partes que correspondem Tapajós e Carajás produzem muitas riquezas, mas vai quase tudo para fora do estado”, afirma o deputado.
Pensando nos benefícios que o novo Estado poderia incidir sobre a cidade em que mora e atua como político – no caso Tucuruí, localizado na área reivindicada para o novo Estado do Carajás -, Deley Santos, juntamente com prefeitos, deputados e vereadores da região estão organizado comissões pró-divisão do Pará. O objetivo é preparar e informar a população, visando à vitória no plebiscito, que poderá ocorrer nos próximos meses. “Estamos fazendo um mapeamento dessas cidades, fazendo levantamentos, estatísticas, PIB etc. Tudo para usarmos como argumento quando chegar à hora da população decidir, nas urnas, sobre a criação dos Estados do Tapajós e Carajás”.
Em depoimento no lançamento do Comitê da Não Divisão do Estado na Associação Comercial do Pará (ACP), na última quarta (1), o Deputado Federal e chefe da Casa Civil, Zenaldo Coutinho, ressaltaram que “os separatistas (relacionados aos que querem a criação dos estados de Tapajós e Carajás) desejavam que só aqueles que morassem nas áreas afetadas pudessem votar no plebiscito, essa ação partiu da Assembléia Legislativa do estado de Goiás. A constituição é clara ao defender que o plebiscito é feito em áreas diretamente interessadas. Como nós não somos interessados? E com a criação dos estados quem ficará com as despesas será o Estado-mãe, ou seja, o Pará”, disse Zenaldo.
 E ainda destacou que de acordo com pesquisas feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o custeio para mais duas máquinas administrativas (dois novos estados) vão gerar um déficit de 2 bilhões reais por ano.
“Só ficaremos com 17% do território atual, os minérios e as hidrelétricas, ficariam com os outros estados.Temos que lutar pelo nosso fortalecimento, precisamos da nossa unidade para trazermos mais recursos e melhores condições para Pará. As pessoas devem ter informações antes de votarem”, ressaltou o Deputado Federal.
A opinião  diverge entre a população. Para Camila Maia, estudante,15 anos, moradora do sudeste do Pará acredita que “a criação do Estado seria mais viável, principalmente se Marabá for à capital, pois assim seriam criados mais empregos e nossas riquezas poderiam ser mais bem exploradas. Hoje essas riquezas não nos beneficiam muito e temos muitas carências, como por exemplo, a falta de opções de cursos universitários. Eu mesmo vou sair para fazer um curso fora”, disse a estudante
Já para Roberto Correa, cientista político, acredita que se deve analisar o período histórico que envolve a criação do estado e elaborar soluções para o seu desenvolvimento. ”Sou contra a divisão do Estado e a favor de que se faça uma revisão histórica severa, e que após isso se busque resgatar a infraestrutura para o desenvolvimento sustentável de todas as regiões. Com o aporte tecnológico, com produção a baixo custo que gera competitividade, e também emprego e renda, será possível”, argumentou Corrêa.


Alunos do Curso de Jornalismo - UNAMA - Aline Seabra, Fernanda Brabo, Roberta Damasceno, Valquiria Lima, Mauro Tavernard, Renan Rollo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A VIOLÊNCIA IMPERA NO CAMPO

José Cláudio da Silva e a mulher Maria do Espírito Santo foram mortos a tiros, no dia 24 de maio de 2011, em uma estrada de Nova Ipixuna (sudestes do Pará), perto de um assentamento extrativista em que viviam. Eles denunciavam e combatiam a ação de madeireiros da região. Segundo informações do delegado responsável pelo caso, o casal foi morto a tiros ao cruzar a estrada que seguia caminho até onde residiam. O enterro do cônjuge, ocorrido no dia 26 de maio, foi marcado por emoções e protestos.

Há vários anos o casal de extrativistas travava uma luta contra madeireiros e carvoeiros que retiravam castanheira do assentamento Praia Altos Piranheira, a guerra custou–lhes a vida. O casal participava do Projeto Água Extrativista e segundo informações de familiares, o casal recebia constantemente ameaças de madeireiros. O retrato falado dos pistoleiros já foi divulgado pela Polícia.

O caso foi destaque internacional. A presidente Dilma Roussef determinou que a Polícia Federal investigasse o assassinato. Recentemente os governadores do Estado, Simão Jatene junto com o ministro da Justiça, se reuniram para definir medidas de segurança para combater a violência no campo, já que o Pará é considerado a região brasileira com maiores índices de violência agrária.


Trabalho da Turma de Jornalismo – UNAMA – 2011

Felipe Carvalho

“Xingu vivo” e a hidrelétrica de Belo Monte.

Foi concedida a licença de instalação do canteiro da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. O IBAMA considerou cumpridas todas as 40 condicionantes impostas ao consócio Norte energia acompanhado de outras 23 exigências.


Todavia, há pessoas contrárias ao projeto da construção da usina de Belo Monte. Existe um movimento chamado “Xingu vivo”. Segundo os dirigentes e os integrantes do movimento contra a construção da usina, a cidade de Belo Monte não têm viabilidade econômica, social, ambiental, cultural e política para um grande projeto como este.

As obras serão liberadas após a publicação no diário oficial. Depois de dez anos da retomada do projeto que ocorreu inicialmente em 1989 só agora podemos ver a hidrelétrica sendo construída. Foram escolhidos três ministros para anunciar as obras, e o Norte Energia garantiu o cumprimento do cronograma. As primeiras turbinas estarão prontas em 31 de dezembro de 2014 e comercialização da energia somente em fevereiro do ano seguinte.

O orçamento chega a R$ 20 bilhões, porém pode chegar ao valor superior de R$ 30 bilhões estimados; a usina terá uma potência de 11.233 megawatts (MW) em 2019, ano que estará totalmente pronta.



Trabalho da Turma de Jornalismo 2011.
Cirayth Rodrigues

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Belo Monte de Divergências

Atualmente, o mundo busca energias renováveis para sustentar o desenvolvimento e sua população, respeitando assim o meio ambiente. Enquanto países desenvolvidos já esgotaram sua capacidade de aproveitamento hidrelétrico, o Brasil tem ainda um enorme potencial inexplorado. No Pará, a Bacia do Rio Xingu é um exemplo, ainda na década de 1950 foram realizados estudos de inventário que identificaram a possibilidade de aproveitamentos hidrelétricos, mas não chegaram a ser implementados. Em 2005 foi iniciado um inventário e em 2008, o Conselho Nacional de Política e Energética definiu que será construída apenas a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.

A previsão para o funcionamento é em 2015, a usina será a terceira maior hidrelétrica do mundo. A construção de Belo Monte vai gerar cerca de 18 mil empregos diretos além de 80 mil indiretos. A região desse aproveitamento hidrelétrico já é objeto de intensas atividades agropecuárias e envolvem diretamente cinco municípios, Altamira, Brasil Novo, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Anapu.

A bacia Amazônica abriga 60% das florestas tropicais do planeta. Um quinto de quase toda água doce do mundo, corre pelo imenso e emaranhados rios amazônicos. O rio Xingu é um desses rios integrantes desta vasta rede. Ele garante a sustentação de mais de 25 mil indígenas, milhares de ribeirinhos, populações extrativistas, agricultores familiares e inúmeras espécies de plantas e animais. A bacia do Rio Xingu abriga áreas protegidas do Brasil, desde terras indígenas e áreas de conservação como parques nacionais e reservas extrativistas. No entanto no coração da floresta amazônica, o governo brasileiro quer construir o que veria ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, Belo Monte.

A construção irá atingir uma curva do rio chamada Volta Grande, conhecida por sua rica biodiversidade, e desviará quase todo o fluxo do Rio Xingu, a fim de gerar eletricidade. A hidrelétrica irá ter um consumo alto. Se Belo Monte for construída parte do Xingu pode secar e deixar os habitantes ao longo do rio sem acesso a água, a peixes e meios de transportes. Duas comunidades indígenas, Juruna e Arara têm feito da Volta Grande, um lar a gerações. A seca do Rio irá causar muitos impactos no modo de vida indígena, que é baseado na pesca, agricultura e caça. Além das centenas de famílias ribeirinhas que pescam e cultivam alimentos na margem e ilhas do Xingu.

A barragem de Belo Monte iria forçar essas famílias a se deslocarem para as cidades, onde haverá uma competição por trabalhos, que ainda é mal remunerado e não há vagas para todos, pois existe a necessidade da qualificação, diploma e experiência. Esses que não conseguirem emprego irão recorrer a outras atividades, agravando a pesca e a caça ilegais, a exploração ilegal de madeira e a criação de gado, que é a maior causa de desmatamento na Amazônia, que com o tempo irá afetar não somente toda a região Norte, mas a todo o Brasil e mundo.

Enquanto seca de um lado, alaga outras áreas urbanas na cidade de Altamira, forçando novamente o deslocamento de 20 mil a 40 mil pessoas que não tem nenhuma informação para onde ir, caso a usina seja construída. Especialistas calculam que o projeto teria um prejuízo entre 6 à 8 milhões de dólares. Cientistas, ambientalistas, povos indígenas, economistas, engenheiros tem denunciado a ameaça de Belo Monte, seus impactos sociais e ambientais, ineficiência energética e econômica, e ao mesmo tempo apontando outros meios mais sustentáveis que preservam a Amazônia e que permitem o desenvolvimento do Brasil. Como investimento em energias a eólicas.


Trabalho da aluna Bruna Brabo - Curso de Jornalismo - UNAMA.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A VIOLÊNCIA IMPERA NO CAMPO


A Morte já estava anunciada do casal de ambientalistas

José Cláudio da Silva e a mulher Maria do Espírito Santo foram mortos a tiros no dia 24 de maio de 2011 em uma estrada de Nova Ipixuna (sudestes do Pará), perto de um assentamento extrativista em que viviam. Eles denunciavam e combatiam a ação de madeireiros da região. Segundo informações do delegado responsável pelo caso, o casal foi morto a tiros ao cruzar a estrada que seguia caminho até onde residiam. O enterro do casal, ocorrido no dia 26 de maio, foi marcado por emoção e protestos.
            Há vários anos o casal de extrativistas travava uma luta contra madeireiros e carvoeiros que retiravam castanheira do assentamento Praia Altos Piranheira, a guerra custou–lhes a vida. O casal participava do Projeto Água Extrativista e segundo informações de familiares, o casal recebia constantemente ameaças de madeireiros. O retrato – falado dos pistoleiros já foi divulgado pela Polícia.
            O caso foi destaque internacional. A presidente Dilma Roussef determinou que a Polícia Federal investigasse o assassinato. Recentemente os governadores do Estado, Simão Jatene junto com o ministro da Justiça, se reuniram para definir medidas de segurança para combater a violência no campo, já que o Pará é considerado a região brasileira com maiores índices de violência agrária.


Felipe Carvalho: aluno de jornalismo da UNAMA - 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BELO MONTE: ANÚNCIO DE UMA GUERRA


A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte é um dos assuntos mais polêmicos atualmente. Ela seria implementada em um trecho de 100 km no rio Xingu, no estado do Pará, e se tornaria a terceira maior hidrelétrica do mundo, sendo a menos produtiva e mais cara.
O projeto nasceu por volta de 1975 e gera discussões divergentes e opiniões conflitantes até hoje. Seu custo estimado sairia em torno de R$ 20 milhões e a previsão de inauguração da usina é fevereiro de 2015.
Organizações sociais e ambientalistas prevêem lacunas e erros graves em sua formação. Eles afirmam que a construção da hidrelétrica irá provocar a alteração do regime de escoamento do rio, com redução do fluxo de água, afetando negativamente a flora e fauna locais e causando diversos impactos ambientais e socioeconômicos.
Outro importante fator que eles apontam é que a obra irá inundar permanentemente os igarapés Altamira e Ambé, que cortam a cidade de Altamira, e parte da área rural de Vitória do Xingu. A vazão da água a jusante do barramento do rio em Volta Grande do Xingu será reduzida e o transporte fluvial até o Rio Bacajá será interrompido, prejudicando comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem deste meio para chegar até Altamira em busca de recursos para sobrevivência.
Apesar de tantos impactos ambientais, muitos acham que a construção é imprescindível para o desenvolvimento do país, pois iria acarretar crescimento econômico e geração de energia elétrica. O projeto inclusive já foi alterado inúmeras vezes para que acate demandas da sociedade e seja aceito, e se torne viável em todos os aspectos.
Recentemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) autorizou a instalação da construção da usina. A liberação da obra foi marcada por polêmicas, tais como: queda de presidentes do instituto, manifestações agressivas de índios e de organizações não-governamentais e grande atraso. Segundo o IBAMA, o licenciamento "foi marcado por robusta análise técnica e resultou na incorporação de ganhos socioambientais". Entre eles, destaca o instituto, a garantia de vazões na Volta Grande do Xingu suficiente para a manutenção dos ecossistemas e dos modos de vida das populações locais.



Alunos do curso de Jornalismo da UNAMA: Amanda Maroja , Gabriela Gomes, Karina Bentes e Larissa Pampolha