segunda-feira, 23 de maio de 2011

MC's Guaranis: O que levou os garotos de uma reserva indígena em Mato Grosso do Sul a adotar o hip hop como cultura e a criar o primeiro grupo de rap indígena no Brasil.

Os olhos do índio Bruno Verón dizem que algo na aldeia não vai bem. Junto a três outros jovens da mesma tribo, ele tranca o sorriso, amarra o Nike e mira o alvo: o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. André está sentado na primeira fileira ao lado do prefeito de Dourados, Murilo Zauith, e de vereadores que inauguram com festa e discursos a Vila Olímpica Indígena da região, um espaço esportivo com campo de futebol e quadras de basquete. Bruno terá sua chance logo depois das meninas dançarinas da etnia terena. Assim que o locutor anuncia a entrada de seu grupo de rap, o Brô MC"s, o índio procura pelo governador na plateia e joga a lança: "Esta vai pra vocês que não conhecem nossa realidade, que não sabem dos nossos dilemas. Aldeia unida, mostra a cara!"
Goldemberg Fonseca/Divulgação
Goldemberg Fonseca/Divulgação
É nóis. Clemerson (E), Charles, Bruno e
Kelvin formam o Brô MC’s
A real que Bruno canta forte, em uma mistura de guarani e português, está bem perto daquele complexo esportivo de R$ 1,6 milhão cheirando a tinta. Sua casa de quatro cômodos é dividida entre ele, a mãe, o pai e cinco irmãos. O avô morreu espancado supostamente por capangas de fazendeiros que queriam os indígenas longe dali. O irmão mais velho escapou por pouco, mas leva um projétil alojado na perna. Na casa dos Verón, arroz e feijão são lei. Carne, pouca. Salada, "coisa de paulista". Mandioca brota no quintal. Banho, só de caneca. A geladeira está quebrada. A TV funciona. O Playstation, também. E sempre, a qualquer hora, os celulares dos garotos tocam Eminem, Snoop Doggy, Racionais, MV Bill e Fase Terminal.
O hip hop chegou às reservas indígenas de Mato Grosso do Sul como se fossem ali as quebradas do Capão Redondo. Para os filhos adolescentes das 15 mil famílias das etnias terena, guarani-caiová e guarani-nhandéva, era como se cada verso tivesse sido criado para suas próprias vidas. Se Mano Brown fala de conflitos entre pobres e policiais, eles têm pais e avôs retirados de suas terras a tiros pelo homem branco. Se MV Bill cita o tráfico de drogas, seus amigos estão cada vez mais fascinados pelo crack. "É uma das regiões mais problemáticas do Brasil", diz o antropólogo especialista no grupo guarani há 40 anos, Rubem Thomaz de Almeida.
A luva também serve quando o assunto é música. O ritmo duro e constante de uma expressão 90% percussiva estaria facilmente em um ritual caiová. "Eu não pensava nessas coisas antes do rap. Ele que me fez ver nossa situação", diz Bruno Verón.
Foi em Bruno e no seu irmão Clemerson que o ritmo bateu primeiro. "É nossa chance de sermos ouvidos fora da aldeia", diz o líder. Kelvin e Charles, os outros dois integrantes e também irmãos entre si, foram recrutados na escola. Apesar dos nomes, todos são legítimos guarani-caiovás. Há muitos jovens registrados com "nomes brancos" na aldeia, como se percebe em uma conversa rápida com os garotos sobre rock and roll. "E vocês conhecem os Beatles?" "Sim, o John Lennon mora logo ali", fala Charles, apontando para a vizinhança. Ele ri, mas é sério. John Lennon, Elton John, Jack, Jackson e Sidney Magal são índios de 16, 17 e 18 anos que também escutam rap. Os meninos andam pela reserva com camisetas do Eminem e dos Racionais MC"s, tênis de basquete, bonés coloridos e celulares tocando rap. Quando se encontram, tocam as mãos abertas e depois fechadas como se faz na cidade. Muitos aprendem a dançar break em oficinas ministradas pela Cufa (Central Única de Favelas). Em uma delas, Higor Marcelo, cantor do grupo Fase Terminal, conheceu os garotos e passou a produzi-los. "Fiquei maravilhado quando ouvi", diz. Higor fez um CD demo dos garotos e agora fecha a produção para o fim do ano de um primeiro disco do Brô MC"s.
Os ventos sopram a favor dos rappers da aldeia. A primeira vez que saíram de suas terras foi em setembro de 2010, quando fizeram um show nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Uma garrafa pet guarda a água do mar que Kelvin trouxe de Copacabana. "Era muito salgada!" São Paulo eles conheceram em dezembro, quando fizeram um show no Sesc Belenzinho. "É abafado, parece que não tem ar." Ele sorri de uma teoria sua sobre as placas das ruas que viu. "Anhanguera é um diabo velho. Anhangabaú é espírito mal do rio. A gente diz aqui que vocês foram a um pajé bêbado para dar nome aos lugares." Os Brô MC"s tocaram também em Brasília, na posse da presidente Dilma Rousseff.
E, assim, suas vidas vão ganhando instantes de fama. Clemerson é o mais procurado pelas garotas. "A gente dá autógrafo." Os olhos de guerreiro de Bruno são só para o palco. Fora dele, é um cavalheiro. Ao sair com o repórter pela aldeia de bicicleta, sugere uma caminhada quando sente o pulmão do parceiro saltando pela boca. Enquanto caminhamos, ele fala mais. Ao ver que o repórter usa aparelho dentário... "Eu tinha que usar isso, mas minha mãe disse que um raio poderia cair em mim." Ao passarmos por uma embalagem de camisinha jogada na estrada... "Aids aqui tem bastante, mas muitos meninos casam cedo, com 12, 13 anos." E ele? Não namora? "Namoro é como prisão, não dá pra fazer mais nada." Bruno é um cavalheiro e um sábio.
Um de seus raps se chama Tupã e mostra que o Brô MC"s já cria seu próprio discurso. "Aldeia, a vida mais parece uma teia / que te prende e te isola, não quero tua esmola / nem a sua dó, minha terra não é pó / meu ouro é o barro onde piso, onde planto / e que suja seu sapato quando vem na reserva fazer turismo / pesquisar e tentar entender o porquê do suicídio."
O alto índice de suicídio na tribo, sempre por enforcamento, atingiu o ápice em 2009, quando foram registradas uma morte a cada dois dias. "Até que uma criança de 8 anos se matou. Aí paramos para discutir", diz Nestor Verón, pai de Bruno. As explicações não fecham uma lógica. O enforcamento seria um simbolismo. O índio quer se expressar e não pode, então se enforca. Ou estaria passando por uma espécie de choque espiritual com a chegada de grupos religiosos cristãos. Nada é certo. "A alma de um suicida, acreditam eles, não sai pela boca, como deveria, mas pelo ânus. E então é incorporada por outro indivíduo que também irá se enforcar", diz o antropólogo Rubem Almeida.
Seja como for, o dilema se tornou combustível para a identidade de algo que já poderia ser chamado de "rap guarani". Afinal, um índio que se veste como Puff Daddy e diz "e aí mano?" afoga a tradição de seu povo? "A cultura não é estática. Ninguém vive fora do mundo", diz a professora de antropologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Lúcia Helena Rangel. O fenômeno pode aguçar pesquisadores, mas o poder público parece longe de abraçá-lo. Ao fim do show do Brô MC"s na inauguração da Vila Olímpica Indígena, o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, é o único que não aplaude. "Não gostei, porque isso é música estrangeira. E eu sou nacionalista."

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Especial sobre Narrativas Orais do Marajó

    É pensando no significado que assume a oralidade como tradição cultural, que apresentamos o “Especial sobre Narrativas Orais do Marajó”, que tem como objetivo marcar a presença Tupi na formação das identidades socioculturais dos povos da floresta.
    Narrativas como “A Cidade Encantada, A Loira do São Pedro, Com Boto não se brinca etc”, nos ajudam a reconstituir uma memória a partir das relações que os habitantes do Marajó mantêm com a corporeidade, o ritmo da voz, as entonações, os nomes de objetos e lugares ao narrar as histórias que compõem o universo das linguagens e identidades marajoaras.

     Neste Blog, estaremos divulgando periodicamente o contar de moradores, herdeiros de saberes Tupi, que traduzem no seu modo de vida as experiências com a tradição oral como forma de organizar e explicar o mundo em sua volta.

Postado pelos alunos bolsistas do Projeto Nas Fronteiras das Narrativas Orais Tupi na Amazônia Paraense
Joel Pantoja
Maurício Correa
Pedro Leal
Raimundo Tocantins

Especial sobre narrativas orais do Marajó

            A Presença Tupi na Amazônia Marajoara

 

O arquipélago Marajoara, localizado ao Norte do estado do Pará, na Amazônia brasileira, é banhado pelo Oceano Atlântico e pela foz do rio Amazonas, sua extensão geográfica tem 50 mil Km2, é a maior ilha flúvio-marítima do planeta.
Divide-se geograficamente em: Marajó dos Campos conformado pelos municípios de Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari, Santa Cruz do Arari, Ponta de Pedras, Muaná e Marajó das Florestas composto pelos municípios de Breves, Afuá, Bagre, São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Portel, Anajás, Gurupá e Melgaço.
Os “Marajós” Comportam histórias de povos e culturas em contínuas mediações culturais que interagiram, negociaram, criaram espaços de luta e resistência a partir do processo de colonização com portugueses, africanos e, contemporaneamente, com outros países estrangeiros.
Neste território, destacaram-se as regiões de Campos e Florestas, cujas constituições de seus modos de vida, deixam ver populações herdeiras de linguagens e saberes Tupi ainda hoje muito presente na forma como se comunicam e conduzem seu dia a dia.

Uma História de Maria da Luz Pereira

Há muito tempo atrás, no rio Ituquara, município de Breves-Pa, dona Maria da Luz Pereira aos 89 anos (atualmente falecida em 04/05/2009), contava para sua família algumas narrativas para explicar fatos acontecidos.
Segundo Maria da Luz, em um belo dia, uma linda moça conhecida como Francidalva menstruou pela primeira vez aos 17 anos. Mesmo sabendo de todos os fatos acontecidos e contados por seus descendentes sobre o boto, saiu para andar de casco e, conforme as crendices do nosso povo, uma moça quando menstrua não pode ir ao rio por causa do boto. Pois ele sente o cheiro do sangue e persegue a mulher, pode até apaixonar-se por ela, foi o que aconteceu, o boto apaixonou-se por Francidalva.
Quando a moça completou 20 anos, casou-se e ganhou um pedaço do terreno da sua mãe Dalila Ramos dos Santos. Nesse local, a jovem construiu um pequeno tapiri para morar. Passaram-se pouco tempo, a moça engravidou. Ela começou a se tratar com sua mãe que era parteira e cuidava de algumas pessoas doentes que a procuravam. No mês que Francidalva estava para ganhar bebê, a moça não quis ir para junto de sua mãe, contrariando a tradição entre as parteiras de cuidar das mulheres paridas até findar o período de resguarde. 
Francidalva não quis ter o filho na casa de sua mãe, mas ela fez o parto e deixou-a em seu tapiri. O marido de Francidava, João Mateus, gostava de sair para peraquerar todas as noites e não entendia que sua mulher estando de resguarde poderia ser perseguida pelo boto, deixava ela sozinha. Os dias foram passando e Francidalva começou a ficar triste e indisposta, pois não conseguia nem levantar-se mais de sua rede. A sua mãe sendo muito esperta começou a perceber e entender tudo que estava acontecendo e falou para o marido de Francidalva “você precisa ficar de tocaia pra ver o que acontecendo com sua mulher!”.
Na noite seguinte, João Mateus fingiu ter ido peraquerar, fez um rodeio com seu casco no rio, entrou na mata e ficou de tocaia perto do tapiri pra ver o que acontecia. Em pouco tempo depois que ele saiu, o boto chegou e foi direto para a rede com a intenção de deitar com Francidalva. Então, o marido compreendeu toda aquela indisposição e veio com uma arma pra matar o boto que ali estava, transformado em homem, mas o boto foi atento, correu e pulou na água. Conforme Maria, o fato acontecido fez com que a família viesse morar na cidade.
 Autora: Maria da Luz Pereira
 Acadêmicos: Benedita do Socorro Pereira Pinheiro, Bibiana Farias dos Santos, Eliete do Socorro da Costa Marques, Iracema dos Passos Pinheiro
 Postado por Raimundo Tocantis, Pedro Leal, Joel Pantoja, Maurício Corrêa

Com Boto não se Brinca

Segundo, Joaquim Nunes da Costa tudo começou na vila Mainard, à margem do rio Jaburú, município de Breves onde vivia uma família evangélica de seis pessoas, uma delas, era um rapaz conhecido pelo apelido de Pretite.
Certo dia, Pretite e seu primo saíram da vila Mainard de canoa até o outro lado do rio para fazerem uma compra num pequeno comércio que lá existe. Na volta para sua casa aconteceu um fato estranho com eles.
De repente, vários botos começaram a boiar ao redor da canoa e os dois ficaram assustados com o que estava acontecendo. Então Pretite falou brincando: “Bem que uma bota dessa poderia vim dormir comigo hoje à noite lá em casa!” Isso ele falou por volta das 18:00 horas. O primo de Pretite respondeu: “Com boto não se brinca!”.
Estava muito bonito o luar, Pretite estava deitado em sua rede inquieto, não conseguia dormir. Às 23:00 horas, ele ouviu um barulho no trapiche. Pretite se levantou da rede, olhou pela brecha da parede e viu uma moça muito bonita, vestida de branco, olhos azuis, cabelos longos e loiros.
Ao vê-la admirou-se, mais em seguida sentiu medo. Pois a moça produziu um som ao andar como se estivesse de sapato alto, mas na verdade a mesma estava descalça e tinha os pés virados para trás. Nesta primeira noite, a jovem não entrou na casa e a meia noite ela desapareceu.
Na segunda noite, o fato se repetiu, sendo que desta vez ela entrou na casa. Pretite estava dormindo, acordou de repente e se assustou com a moça que estava olhando para ele na beira da rede e ela falou: “Você me chamou e eu estou aqui”. Logo se lembrou do que havia dito, quando voltava do comércio no momento em que foram rodeados pelos botos na canoa.
 Na terceira noite, os encontros se sucederam e eles se tornaram íntimos, porém sua família percebeu que ele estava agindo de forma estranha, pois parecia que ele andava falando com uma outra pessoa, a qual eles não podiam vê-la. Neste momento, sua mãe lhe perguntou: “o que está acontecendo com você? Suas atitudes mudaram, pouco tempo você dorme, anda inquieto como se estivesse sempre esperando algo”.
Pretite decidiu contar tudo para sua mãe. Com isso, sua mãe ficou muito preocupada, reuniu a família para tomarem juntos uma atitude. Como a família era evangélica, resolveram chamar o pastor para orar na cabeça de Pretite, com o objetivo de expulsar o espírito maligno. Mesmo depois das orações, não adiantou nada a intercessão do pastor porque a moça continuou suas visitas rotineiras.
Em uma noite de luar, a moça o convidou para ir ao trapiche, chegando lá ela tocou a água e lhe mostrou a imagem de seu mundo, sua casa e prometeu toda riqueza daquele lugar tentando de todas as maneiras convencê-lo a viajar para seu mundo, mas suas tentativas foram em vão.
Os dias passaram, o rapaz sem saber o que fazer com aquela situação tomou uma decisão, resolveu conhecer o outro mundo sem que sua família soubesse. À noite para sua surpresa, quando esperava ansiosamente pela moça, apareceu uma linda morena alertando-o de que não aceitasse nada de que a moça lhe desse para comer e estivesse sempre atento para qualquer outra tentativa, pois sua real intenção era levá-lo.
A partir do momento que ele fosse com ela, não teria mais volta, ele nunca mais veria sua família. Foi quando ele perguntou: “mas quem é você?” Ela respondeu: “Sou alguém do mesmo mundo que você quer conhecer, mas que quer o seu bem, por isso não vá para lá”. Depois, a moça se despediu e desapareceu na água.
Pouco tempo depois, a linda moça como de costume apareceu propondo algo novo, que deitasse juntos na mesma rede e assim aconteceu, ao tocá-la sentiu sua pele gelada e foi como se acordasse de um sonho, de imediato lembrou-se da palavra da moça morena que o alertara minutos antes. Levantou bruscamente da rede mandando-a ir embora, pois percebeu como era estranha ao tocá-la.
No dia seguinte, desesperado e com muito medo, sem que sua família soubesse procurou ajuda de um senhor mais antigo do lugar e este lhe aconselhou que mudasse para a cidade de Breves e na casa que fosse morar deveria ficar sete dias trancado. Pois seria a única maneira de afastá-la, mesmo assim, talvez tentasse novamente persegui-lo. Mas como ela vivia na água, não resistiria por muito tempo.
Por fim, ele se mudou para a cidade como previsto, a jovem ainda tentou persegui-lo, mas sua tentativa foi em vão. Ele se trancou em seu novo lar por sete dias. Logo nos primeiros dias ainda viu a moça pela brecha da casa, porém como continuou trancado o encanto se quebrou e ainda hoje o Pretite reside na Rua Sebastião Amado na cidade de Breves/Pa.
 Narrador: Joaquim Nunes da Costa, 69 anos de idade

Postado por: Pedro Leal, Raimundo Tocantins, Mauricio Corrêa e Joel Pantoja.

              

A Loira do São Pedro

A Cidade Encantada

Uma História de Ponta de Pedras

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dia do Índio - Mês de Abril

Crianças Kaingang em Porto Alegre - Foto: Monica Cruvinel
Todos os anos, quando se aproxima o dia 19 de abril, o Dia do Índio, as escolas e a mídia logo se movimentam para "prestar uma homenagem ao "índio".
O grande problema desta história é que tanto a escola como a mídia, de uma maneira geral, falam de um índio genérico, como se fossem todos iguais, tivessem uma mesma cultura, falassem a mesma língua. Talvez fosse melhor dizer que dia 18 de abril é o dia dos Aikewára, dos Tembé, dos Mbyá-Guarani, dos Asuriní do Xingu, dos Ianomâmi, dos Maias, dos Incas...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Haitianos no Acre

Nos últimos 47 dias, cerca de 200 haitianos estão no Acre. Dezesseis em Rio Branco e o restante em Brasiléia. A rota que fizeram para chegar aqui é muito incrível. Parte deles vieram a pé de Puerto Maldonado até Brasiléia. Somente hoje foi assegurado, pelo governo do estado, a liberação de recursos para fornecer três refeições diárias às pessoas que estão do "refúgio" naquela cidade. Até então estava sendo fornecida somente uma refeição.

Estamos tentando conseguir hospedagem mais decentes aqui em Rio Branco. Porém continuam chegando mais haitianos - mulheres, crianças e homens - que passaram a entrar também pela Bolívia. A ordem de Brasília é fechar a fronteira, sendo que tem 45 pessoas detidas em Iñapari, cidade fronteiriça à Assis Brasil. Nem alimentos estão nos permitindo repassar para eles. Fala-se em contaminação, barreira sanitária e risco de tráfico humano.

O mais curioso é que, há dois anos, o governo abrigou, com todas as regalias, mais de 600 bolivianos na cidade de Epitaciolância, separada de Brasiléia por uma ponte. Esses bolivianos eram os franco-atiradores que, sob a liderança do fascista do Leopoldo, então governador de Pando, assassinaram centenas de indígenas e campesinos em Cobija. Muitos deles continuam desaparecidos.

Pelos dados do governo federal, além dos 200 haitianos que estão no Acre, já tem mais de seis mil no resto do Brasil. Nas conversas que temos tido com os que estão no Acre, a maioria fala muito mal dos deserviços praticados pela força de ocupação da ONU/Brasil no Haiti. As violências não são poucas.

Cremos na necessidade de fazermos denúncias e intervenções políticas, insistindo não somente na necessidade de abrir as fronteiras, coisa que a Dilma não parece muito interessada, mas em assegurar condições dignas de recebimento/acolhimento de todos os que estão pedindo refúgio no Brasil.

Saudações.

Professor Gerson Albuquerque / UFAC- Universidade Federal do Acre

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Anima Mundi

Anima Mundi - I Concurso Nacional de Animação para Internet - CCBB


Plurais: as culturas de Belém

Stuart Hall

Anderson Costa
Jeniffer Soares
Karina Monteiro
2PPN-2010


A globalização tem, sim, o efeito de contestar e deslocar as identidades centradas e “fechadas” de uma cultura nacional. Ela tem um efeito pluralizante sobre as identidades, produzindo uma variedade de possibilidades e novas posições de identificação, e tornando as identidades mais posicionais, mais políticas, mais plurais e diversas; menos fixas, unificadas ou trans-históricas.

Stuart Hall

Belém, a cidade morena nos faz vibrar com uma típica mistura de ritmos e danças. Sua identidade indefinida é formada por um processo híbrido, com a influência de várias nacionalidades.

Desde sua fundação já era notória a diferença entre as culturas, no qual eram denominadas alta cultura e a baixa cultura. A influência francesa no período da “Belle Epoque” colocava nas ruas mulheres que exibiam seus lindos vestidos longos, enquanto a mulher da vida estava logo ali à vontade com suas roupas provocantes.

Este cenário misto sempre foi o tema dessa cidade das mangueiras, que nem mesmo as mangueiras a pertencem de origem. Não cabem mais delimitações entre o tradicional e o atual, uma nova equação é feita “tradicional+atual=Plural”, por mais que existam pessoas que tentem resgatar um passado imaginário.

O Brasil, como país latino-americano, é resultado de um entrecruzamento de várias tradições, tem uma pluralidade de identidades resultante desse mix cultural, que demonstra a realidade de Belém, a metrópole da Amazônia, as vésperas de seus 345 anos tem um acréscimo em sua diversidade cultural, por fazer parte de um contexto pós-moderno. A expansão urbana impulsiona ainda mais a hibridação na cidade dando origem a muitas outras práticas, a influência de novas tecnologias comunicacionais, cedendo espaço para a grande mídia ditar regras, modas, identidades passageiras.


A “cultura urbana” é reestruturada ao ceder o protagonismo do espaço público ás tecnologias eletrônicas. Como quase tudo na cidade “acontece” porque a mídia o diz e como parece que ocorre como a mídia quer, acentua-se a mediatização social, o peso das encenações, as ações políticas se constituem enquanto imagens políticas.

Néstor Garcia Canclini



Plurais- A encenação de um povo. Cultura de um todo”, o curta-metragem produzido por acadêmicos da Universidade da Amazônia- UNAMA, apresentado à disciplina Estudos da cultura Brasileira, retrata o hibridismo cultural que é dado a partir da desespacialização de informações, na sociedade contemporânea a identidade se torna plural tendo grande auxilio dos meios de comunicação e das redes sociais.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Multilinguismo no Brasil:A força da diversidade linguística dos índios brasileiros

Roselene Carneio Mosqueira
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária
Unama 2010/2011

Há um discurso que no Brasil fala-se somente a língua materna o português brasileiro, ledo engano pensar assim, pois há uma diversidade de idiomas. Infelizmente, nós brasileiros, desconhecemos esta realidade. Mas não estamos falando de empréstimos lingüísticos, ou de influência de outros idiomas. Estamos falando na verdade, das aproximadamente 180 línguas indígenas. Quando falamos de línguas indígenas, a primeira coisa que se pensa é que todos os povos falam Tupi. Isto não está correto. O Tupi é um tronco linguístico e não uma língua. Esta confusão acontece porque muitas palavras do vocabulário brasileiro têm origem nas línguas da família Tupi-Guarani.
Segundo o Professor Ayron Dall’lgna, no que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão. Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro Línguas brasileiras– para o conhecimento das línguas indígenas. (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).

Disponível: http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias

Tronco Tupi


Tronco Macro-jê


Muitos indígenas falam ou entendem mais de uma língua. Em algumas sociedades, falar várias línguas é comum. É possível, também, encontrar numa mesma aldeia pessoas que só falam a língua indígena, outros que só falam o Português e outros ainda que são multilingues. A diferença de língua não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, etc. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família linguística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Muitas pessoas falam de três a cinco línguas, ou mesmo mais. O multilinguismo dos índios do rio Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também idiomas das famílias Arúak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatú, o Português e o Espanhol.

Durante muitos anos a língua de comunicação entre os portugueses e indígenas foi aprendida por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nos aldeamentos. Desde o final do século XIX, a Língua Geral Amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú, “língua boa”). O Nheengatu passou por muitas transformações, mas continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na região do rio Negro. Além de ser a língua materna da população ribeirinha, ela mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios falantes de línguas diferentes.
Como podemos constatar o idioma português, não é soberano como língua materna, pois nem todos os habitantes do Brasil falam o mesmo idioma. Fazendo um paralelo com o que ocorre no Continente Africano em que também há uma diversidade linguística muito acentuada. No entanto neste continente o que prevalece é a diversidade ao contrário do que ocorre no Brasil quando se oficializa um idioma para os brasileiros. Delegando portanto o idioma ao preconceito e ao esquecimento as línguas dos nativos.




















“Tudo índio, tudo parente...” (Nilson Chaves)


Referências:
"http://www.niee.ufrgs.br/alunos/alunos/projeto/equipes/xingu/xingu.html" "http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo"
Fotos retiradas da Internet

domingo, 16 de janeiro de 2011

Hibridizações na Amazônia: novos caminhos da música clássica em Belém

UNAMA - 2PPN1- 2010
Rodrigo Binttencourt
Wiliiam Syade
Aryevellis Damasceno
Deyse Mello
Jordan Magave

Vivemos em um mundo totalmente híbrido, onde a globalização foi o principal movimento que influenciou essa mistura de estilos de vidas, culturas e etc. A cultura intocável não existe mais, todas as culturas existentes já sofreram esse processo de hibridação, com a inserção de modos, gestos e crenças de outras culturas.

O foco desta postagem é a hibridação da produção musical em Belém. A música erudita é considera por muitos um movimento musical magnífico, com suas notas sempre servindo de base magnífica para as notas seguintes, ocorrendo um ritmo linear da música, em que sua propagação é melódica ou simplesmente feliz. Os dizeres das cordas são suficientes para sua magnitude, o modo de interpretá-la se torna subjetivo, o ouvinte interage ao decorrer de sua melodia, sentindo a emoção dos próprios músicos.

Só que a grande razão por fazer esse trabalho não é a música clássica tradicional, é mostrar a sua mistura, o seu novo foco, tendo em vista as grandes mídias fazendo parte de sua composição, por isso procuramos por uma banda que conseguisse mostrar tudo o que queríamos: o tradicional misturado com a pop arte. Então, encontramos a Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, um grupo formado por jovens com faixa etária entre 14 a 18 anos, que conseguem unir suas paixões: o clássico com o contemporâneo.



Quem está acostumado a ver uma orquestra tocando daquela forma estática e concentrada no seu instrumento, não consegue achar essa mesma característica nessa orquestra. Além do show ser marcado pela habilidade que cada um tem com o instrumento, suas performances são divertidas e contagiantes, fazendo o público entrar em uma sintonia com a “banda”.

Seu repertório é variado. Tocam desde o primeiro prelúdio de Bach, passando por Metallica, The Beatles e agora com experimentações de música clássica com o dance, estilo musical tocado em boates que tem a intenção de manter o ouvinte animado e entusiasmado com o ambiente.

A grande questão é: essa mistura é boa ou má? Na verdade, não depende da música, depende do seu ouvinte, pois, os mais conservadores abominam essa intervenção, acham que a música erudita está sofrendo uma depredação cultural e que tal feito não deveria está ocorrendo. Só que por outro lado existem pessoas que se encantam com esse estilo, fazendo com que alguns se aproximem mais da música clássica.

A experimentação é bem vinda! Tem que ser feita! A pessoa tem que viver o seu tempo!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Tomé-Açu: Pará no coração, Japão na “ponta da língua”

Enok, Érica e Tiago
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária
UNAMA - 2010




No estado do Pará, mais especificamente em Tomé-Açú foi o local onde os japoneses chegados ao Brasil resolveram se instalar de uma forma bem- sucedida. Ao contrário de muitos outros estrangeiros que não conseguiram grandes feitos em terras Amazônicas.

Tomé-Açu situa-se no nordeste paraense, no interior do estado, é a melhor representação da cultura japonesa na floresta Amazônica. A população local vive em casas típicas de sua cultura e aos domingos se reúnem em um templo budista como forma de manter sua religião. Nas escolas, fala-se e estuda-se japonês; mantêm o hábito de tirar os sapatos para entrar em casa e costumam praticar o sumô, que é uma paixão japonesa também faz parte da cultura local.

Na contramão dos processos de ocupação da Amazônia, Tomé-Açú desenvolveu-se economicamente muito além das perspectivas interioranas. Para os japoneses e seus dependentes o cultivo da terra está em primeiro plano, diferentemente de outros estrangeiros, que não tinham a mesma responsabilidade ambiental. Por conta disso, obtiveram êxito em seus empreendimentos e como conseqüência há um aumento populacional significativo, passando de 20.000 habitantes em 1970 para aproximadamente 57.000 em 2010, segundo dados do IBGE.


Em Tomé-Açu, além da economia e da agricultura, destaca-se também o sistema educacional japonês, que é financiado diretamente pelo governo do Japão, como forma de manter viva a cultura oriental mesmo estando tão longe de sua origem. As escolas “nippo-tomeaçuenses” ensinam história, geografia e músicas japonesas, sem esquecer, é claro, do ensino prioritário da língua do Sol nascente.

A educação ocorre desta maneira para que não aconteça um “choque” cultural (Brasil-Japão), por isso, o governo japonês investe pesado nesse sistema de ensino. Através da escola consegue de maneira eficaz manter cada vez mais viva a cultura nipônica, integrando tomeaçuenses nativos e nippo-tomeaçuenses no mesmo modelo escolar.


Depois de trazer para o Brasil a pimenta-do-reino e a acerola, fruta muito popular hoje nas grandes cidades, e de aprender a cultivar maracujá e guaraná, os japoneses de Tomé-Açu contribuíram ainda para a pluralização lingüística no norte do Brasil. É louvável a introdução de uma língua rica, com múltiplas formas, diversos caracteres e um desejo inestimável por manter as tradições que se ressignificam no tempo e diante das mudanças de postura social. Tudo isso pelo prazer do cultivo da terra e respeito ao lugar que escolheram para também chamarem de seu: A Amazônia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Hibridismo cultural em Belém

2PPN1

Fábio Braz
Iranilson Santarosa

Mistura de culturas, cada plano é um híbrido, constituído de figuras em migração permanente, onde já não se pode mais determinar a natureza de cada um de seus elementos constitutivos, tamanha é a mistura, a sobreposição, o empilhamento de procedimentos diversos, sejam eles antigos, sejam modernos, sofisticados ou elementares, tecnológicos ou artesanais.

O hibridismo se torna operativo hoje em dia nos estudos culturais através de três modelos, de duas funções culturais, e de formações políticas. O primeiro modelo se apresenta na fusão de elementos díspares com vista à criação de formas biológicas ou culturais inteiramente novas. O segundo numa constante interpenetração entre diferentes formas, cada uma das quais, no entanto, se mantém reconhecivelmente distinta por mais alterações que sofra no respectivo contexto sincretista. O terceiro põe uma causa a própria noção de diferença que se baseiam em dois anteriores, na medida em que propõe as formas hibridas não são senão o constante mistura do sempre já misturado. O modo de atuação do hibridismo do ponto de vista cultural em qualquer uma das três modalidades referidas tem sido objeto de duas teorizações fundamentais.
Para uns o hibridismo é algo que, inevitável e previsivelmente, faz parte absolutamente integrante de todas as formações culturais no seu normal trajeto desde que surgem e à medida que vão evoluindo e mudando ao longo do tempo e do espaço. Para outros se apresenta como algo de transgressivo, como uma força criativa capaz de abalar, desnaturalizar e até mesmo derrubar as formações culturais hegemônicas. As implicações políticas do hibridismo são objeto de uma luta encarniçada, de todos os lados se perfilando os seus defensores, os detratores, e os que se remetem as posições de ambivalência. A questão fundamental é saber como é que o hibridismo se articula com as relações de poder nas zonas fronteiriças situadas entre o que é diferente.
Procuramos mostrar um pouco do hibridismo de Belém através de pontos turísticos bastante conhecidos. Pode- se dizer que o hibridismo inicia firme em nosso estado quando houve uma grande influencia européia denominada de Belle Époque, época marcada por profundas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver o cotidiano.

O Ver - o - Peso dando origem ao nome do mercado, já que era obrigatório ver o peso das mercadorias que saiam ou chegavam à Amazônia, arrecadando-se os impostos correspondentes.

No final do século XIX e XX, o local que temos hoje por Complexo sofreu uma série de modificações tanto funcionais, quanto em sua paisagem se adaptando às necessidades e gostos da Belle Époque. Foi nessa época que houve aterramento em uma parte da Baía do Guajará, amplicação do Mercado de Carne, construção do porto e o Mercado de Ferro, lugares que possuem uma grande influência artistica neoclassica, art noveau e eclética (influência de paises como França, Espanha, Inglaterra entre outros países).

A estação das docas é um dos espaços que mais refletem a região amazônica. Referência nacional, o complexo turístico e cultural congrega gastronomia, cultura, moda e eventos nos 500 metros de orla fluvial do antigo porto de Belém. Os Boulevares foram resultado de um cuidadoso trabalho de restauração dos armazéns do porto da capital paraense. Os três galpões de ferro inglês são um exemplo da arquitetura característica da segunda metade do século XIX. Os guindastes externos, marcas registradas da Estação, foram fabricados nos Estados Unidos, no começo do século 20. Já a máquina a vapor em meados de 1800, fornecia energia para os equipamentos do porto. As ruínas do Forte de São Pedro Nolasco, onde foi construído um Anfiteatro, foram originalmente construídas para a defesa da orla em 1665. O espaço foi destruído após o Movimento da Cabanagem, em 1825, e revitalizado para a inauguração da Estação.

sábado, 1 de janeiro de 2011

As multiliguagens na Amazônia: em foco as línguas indígenas

Keitilene Savino
Camila Almeida
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária
UNAMA- 2010

Línguas Indígenas
Quando falamos de línguas indígenas, a primeira coisa que se pensa é que todos os povos falam Tupi.

Isto não está correto! O Tupi é um tronco linguístico e não uma língua. Esta confusão acontece porque muitas palavras do vocabulário brasileiro têm origem nas línguas da família Tupi-Guarani.

Além disso, existe mais de 180 línguas indígenas no Brasil!

Você imaginava que eram tantas assim?

Como entender as diferenças entre as línguas?
Os especialistas no conhecimento das línguas (os lingüistas) estudam as semelhanças e as diferenças entre elas e as classificam em troncos e famílias linguísticas.

O tronco linguístico é um conjunto de línguas que têm a mesma origem. Essa origem é uma outra língua mais antiga, já extinta, isto é, que não é mais falada. Como essa língua de origem existiu há milhares de anos, as semelhanças entre todas as línguas que vieram dela são muito difíceis de ser percebidas.

A família linguística é um conjunto composto por línguas que se diferenciaram há menos tempo. Veja o exemplo do Português.


O Português pertence ao tronco Indo-Europeu e à família Latina.
Você acha que o Português deve se parecer mais com o Francês e o Espanhol, ou com o Russo, o Gaulês ou o Alemão?
Acertou se respondeu com o Francês e o Espanhol; é claro, são da mesma família! Mas… isso não significa que todo mundo que fala Português, entende ou fala, por exemplo, o Francês. E vice-versa. Mas as duas línguas têm muitas semelhanças. Devem ter sido mesmo muito parecidas quando começaram seu processo de diversificação. Se compararmos o Português e o Russo, quase não há semelhanças, as diferenças entre essas duas línguas são enormes! Isso acontece porque, apesar de serem de um mesmo tronco, pertencem a famílias linguísticas diferentes: o Português é da família Latina e o Russo é da família Eslava.

Com as línguas indígenas é a mesma coisa!
Há línguas de uma mesma família que têm muitas semelhanças, e existem aquelas que pertencem a famílias linguísticas diferentes e, por isso, não são nada parecidas.
E há, ainda, línguas que pertencem a troncos distintos, aumentando ainda mais a diferença entre elas.

Descubra como são classificadas as línguas indígenas no Brasil ...

No Brasil, existem dois grandes troncos, o Macro-Jê e o Tupi.
Dentro do tronco Tupi existem 10 famílias lingüísticas e no Macro-Jê, 9 famílias.
Há também 20 famílias que apresentam tão poucas semelhanças que não podem ser agrupadas em troncos lingüísticos.



Existe uma língua principal, que ajude na comunicação entre diferentes povos?

Às vezes uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado. Os especialistas chamam essa língua de língua-franca.
Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas dessa família, porque se converteu em língua-franca da região.
Há casos em que é o Português que funciona como língua-franca.
Já em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e populações ribeirinhas falam o Nheengatu, Língua Geral Amazônica, quando conversam entre si.


Como surgiu a Língua Geral Amazônica?
A Língua Geral Amazônica desenvolveu-se nos séculos XVII e XVIII no Maranhão e no Pará, a partir da língua Tupinambá, falada em uma enorme extensão ao longo da costa brasileira.
Aos poucos, o uso dessa língua intensificou-se e generalizou-se de tal forma que a partir do início do século XVIII acompanhou a expansão portuguesa na Amazônia, estendendo o seu uso ao longo de todo o vale do rio Amazonas e afluentes. Subindo pelo rio Negro, a Língua Geral Amazônica alcançou tanto a Amazônia venezuelana como a colombiana.
Essa língua foi aprendida por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nos aldeamentos. Desde o final do século XIX, a Língua Geral Amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú, “língua boa”).
O Nheengatu passou por muitas transformações, mas continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na região do rio Negro. Além de ser a língua materna da população ribeirinha, ela mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios falantes de línguas diferentes.

 Por que a diversidade de línguas é importante para a humanidade?
Porque cada língua reúne um conjunto de conhecimentos de um povo, saberes únicos. Assim a perda de qualquer língua é, antes de tudo, uma perda para toda a humanidade.

 Fontes de informação:
• Aryon Dall´Igna Rodrigues. Línguas Brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas (1986)
• UNESCO Vitalidade da língua e línguas em perigo de extinção (2003)
• Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília




quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vizinhanças híbridas em Belém

2 PPN 1
Renata Teodozio
Ismailana Moura
Victor Azevedo


O termo “Culturas Híbridas” pode ser definido como um rompimento entre as barreiras que separa o que é tradicional e o que é moderno, entre o culto, o popular e o massivo. Em outras palavras, culturas híbridas consiste na miscigenação entre diferentes culturas, ou seja, uma heterogeneidade cultural presente no cotidiano do mundo moderno. A modernidade é constituída de culturas híbridas, tal como a globalização. O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa facilitou consideravelmente essa hibridação.

A gestão de um espaço urbano marcadamente fragmentado, que produz e acentua desigualdades, coloca-se hoje como o grande desafio político ao poder público municipal. Aproveitar recursos, sempre escassos, quando se tem em vista a escala urbana a que se destinam e sobre a qual se deve atuar, implica a formulação de políticas públicas ancoradas em um sólido conhecimento da realidade e fortemente direcionadas a objetivos claros e específicos.


A abordagem anterior fala sobre a hibridização cultural que podemos identificar em um vídeo feito em uma importante rodovia da capital paraense. O vídeo aborda a proximidade de diferenças sócio-econômicas e mostra um condomínio de luxo que é vizinho de um conjunto habitacional de classe média baixa, o VT deixa claro essa diferença principalmente na estética dos dois lugares.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Multilinguismo na Amazônia

Diana Ramos Silva
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Lietrária
Unama- 2010
A região amazônica é guardiã de mistérios e de belezas, de cores e de encantos, de sabores e de cheiros bem particulares!
É neste cenário das diversidades, que se estuda e se observa o multilinguismo, que não permite estabelecer regras estanques, tampouco oficializar uma única língua, o português. Devemos valorizar as pluralidades lingüísticas de nossa região, sobretudo a pluralidade da língua indígena.

Vista aérea da aldeia Dimini do povo Yanomami
(pib.socioambiental.org)
As situações de multilinguismo na região amazônica mostram que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bem diversificada, ou seja, existem os que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas. Isto resulta num caldeirão lingüístico rico e promissor ao estudo da sociolingüística, sobretudo quando se ratifica a importância do estudo das línguas dentro das práticas sociais.
Antropólogos, Sociolinguistas entre outros pesquisadores correlatos que estiveram em diferentes comunidades indígenas na região amazônica, depararam-se com usuários que falam apenas a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. Todas estas diferenças não impedem que as relações humanas sejam efetivadas, bem como as necessidades satisfeitas, pois as comunidades interagem e socializam-se, de modo que o multilinguismo acaba enriquecendo os vínculos sociais.

Etnia Maku (pib.socioambiental.org).
Segundo o professor Aryon Rodrigues: “Atualmente, no Brasil, são conhecidos dois grandes troncos lingüísticos: O Tupi e o Macro-Jê. Há também nove famílias lingüísticas que não são classificadas em troncos> Isso sem contar que existem sociedades indígenas que vivem isoladas, cujas línguas não são conhecidas. Mas ainda existem poucos estudos sobre as línguas indígenas no Brasil.”
Nos casos em que as comunidades indígenas elegem uma das línguas – chamada língua franca - a ser utilizadas por todos para superar barreiras de comunicação, há convivência nas aldeias do multilinguismo. Há casos em que o português funciona como língua franca, noutros em que o Nheengatuu – língua geral da Amazônia - passa a ser corrente nos grupos indígenas. Portanto, falar em língua portuguesa como língua oficial, é negar a riqueza cultural assim como a riqueza lingüística das comunidades indígenas


(pib.socioambiental.org).