sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mulher e violência: mídia como combate ou influência?

Universidade Federal do Pará
Instituto de Letras e Comunicação
Faculdade de Letras
Disciplina Recursos Tecnológicos
Professora Ivânia Neves
Dezembro/2013

Aline Pantoja
Elizane Alburg
Fabyolla Franco
Patrícia Sousa

Durante muito tempo, o ambiente familiar foi tratado como um lugar privado e restrito, onde o Estado tinha muita dificuldade para entrar e combater a violência física. Somado a isto, o medo, a vergonha e a falta de informação contribuíram para que mulheres agredidas dentro desse espaço não denunciassem seus agressores, principalmente por se tratar, na maioria das vezes, de pessoas muito próximas, como maridos, companheiros, namorados, pais, irmãos, filhos ou outro integrante da família.

Mas essa situação está mudando. Com a criação, em 2003, da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), da Presidência da República, com os acordos internacionais assinados pelo Brasil com vistas à eliminação da violência e com a sanção da Lei 11.340 - Lei Maria da Penha - em 2006, as mulheres passaram a ser amparadas por inúmeros instrumentos e serviços para garantir seus direitos e o atendimento em situações de violência.


Quem foi Maria da Penha Fernandes?


A farmacêutica Maria da Penha foi mais uma das vítimas da violência doméstica nesse país. Por duas vezes seu então marido, professor universitário, tentou matá-la. A primeira tentativa foi com
o uso de arma de fogo e a segunda por eletrocussão e afogamento. Os fatos aconteceram em 1983, em Fortaleza, Ceará. Esses episódios causaram lesões irreversíveis à saúde de Maria da Penha, que ficou paraplégica. Apesar de condenado em dois julgamentos, o autor da violência, seu marido, não havia sido preso devido aos sucessivos recursos de apelação.

Em 2001, após 18 anos da prática do crime, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos responsabilizou o Estado brasileiro por negligência e omissão em relação à violência doméstica e recomendou várias medidas em relação ao caso concreto de Maria da Penha e em relação às políticas públicas do Estado para enfrentar a violência doméstica contra as mulheres brasileiras.

Por força da pressão internacional de audiências de seguimento do caso na Comissão Interamericana, em 2002, o processo no âmbito nacional foi encerrado e em 2003 o ex-marido de Penha foi preso, mas cumpriu a pena de dois anos de prisão.

Dados estatísticos
No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é espancada pelo marido ou companheiro. Mais de 70% dos incidentes violentos são de espancamentos de mulheres por seus companheiros, que escapam de penas alegando ter agido "sob forte emoção”. As mulheres continuam sendo as maiores vítimas de atentado violento ao pudor, ameaças e lesões corporais dolosas. Os acusados são, na grande maioria companheiros, ex - companheiros, pais, padrastos, parentes e conhecidos.

São registrados 15 mil estupros por ano no Brasil. Mais de um bilhão de mulheres no mundo foram espancadas, forçadas a manterem relações sexuais ou sofreram algum tipo de abuso, quase sempre cometido por parente (companheiro, pai, padrasto, avô, ou amigo). Oitenta e quatro bilhões anuais, ou seja, mais de 10,5% do PIB brasileiro, são gastos como problemas decorrentes da violência contra a mulher. A tentativa de suicídio é 3 vezes mais frequente em mulheres agredidas; 1em cada 5 dias de falta ao trabalho é causado pela violência contra as mulheres dentro de suas casas. A violência doméstica faz com que a mulher perca 1 ano de vida saudável, a cada 5 anos. Portanto, a violência é considerada, pela ONU, um problema de saúde pública. 33% das mulheres apontam a violência contra as mulheres dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade

SERVIÇOS QUE A MULHER COSTUMA PROCURAR QUANDO É AGREDIDA
•Procuram serviço ou apoio............................52%
•Delegacia da Mulher ...................................38%
•Delegacia de Polícia.....................................19%
•Serviços de atendimento à mulher ...............3%
•Hospital e Posto de Saúde.............................2%
•Atendimento telefônico número 180 ............1%
•Associações e grupos de mulheres.................1%
•Igreja / líder religioso ...................................0%
•A mulher não costuma procurar serviço ou apoio.........35%
(fonte Ibope/Themis, 2008)

Porque atender em redes e sua importância no combate à violência contra a mulher

O que é uma rede? 


A rede nos é apresentada como uma teia de relações existentes na sociedade que tem função própria e que juntas aumenta a proporção de proteção no que concerne à violência contra a mulher, problema este que vem se arrastando ao longo dos anos.

Qual a importância das redes sociais no combate à violência contra a mulher?
A importância das redes sociais imprime o papel da prevenção e tratamento relacionado à violência contra a mulher. Estas redes são importantes para que os vários setores da sociedade possam formular estratégias que visam combater os atos de violência sexual, psicológico ou doméstico. Elas aumentam a possibilidade de mais pessoas interajam e encontrem soluções viáveis para o problema. 

Para saber mais:

REFERÊNCIAS



JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. Trad. Susana Alexandria. Editora Aleph, 2008.

KELLNER, Douglas; SHARE, Jeff. Educação para a leitura crítica da mídia, democracia radical e a reconstrução da educação. Educ. Soc., Campinas, vol. 29 - n. 104 - 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300004

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O idoso jovial: A velha/nova forma de retratar a terceira idade.

Universidade Federal do Pará
Instituto de Letras e Comunicação
Faculdade de Letras
Disciplina Recursos Tecnológicos
Professora Ivânia Neves
Dezembro/2013

Amanda Ariana
Cristiane
Kássia Alencar
Murilo Vale

O crescimento significativo do envelhecimento da população no Brasil tem trazido à tona temas relevantes e debates nos diversos tipos de mídia nas últimas décadas. Nossa sociedade está presenciando o surgimento de um fenômeno social com reflexos políticos, econômicos e culturais.

Em pesquisa feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, estima-se que o Brasileiro viva em média 74,6 anos. Se observarmos o mesmo estudo feito há 10 anos, a expectativa de vida do brasileiro aumentou 3 anos. Em 2002 era de 71 anos. Isto implica não apenas um maior número de aposentados, o que gera maiores gastos no que diz respeito à saúde e acessibilidade, como também uma maior visibilidade do idoso nas diversas mídias. Em reportagem do Jornal Nacional do mês de outubro, observamos as implicações que este aumento da expectativa de vida tem causado na população brasileira como a maior dificuldade para a aposentadoria.


Para além do aumento da expectativa de vida, o idoso vem buscando uma vida mais saudável, disposta no que tange aos exercícios físicos, fazendo surgir uma nova identidade, a dita “melhor idade”. Uma das implicações para o aumento de enfoque aos idosos é a construção de uma nova imagem do idoso apresentada pelas mídias. Esta construção, porém, não é sem propósito: vem surgindo toda uma indústria voltada para um apelo midiático e a adesão de um novo estilo de vida para os idosos, conforme podemos observar na propaganda do Windows 7 do ano de 2011.

Desde meados da década de 30, em pesquisas realizadas nos Estados Unidos, a imagem do idoso vem sendo modificada. Se nessa década a imagem retratada era de um indivíduo fraco e debilitado, conforme as telenovelas, comerciais de TV e revistas, a partir da década de 90, o idoso tem sido retratado com um estilo de vida mais jovial, com cadastro em sites de relacionamentos, que possuem namoradas e fazem sexo, etc.


Porém, caímos no ostracismo destas perguntas: Afinal, o idoso realmente mudou? O estilo de vida agora é outro? Ou o enfoque à vida saudável tem buscado casos excepcionais para serem tidos como modelo a ser seguido? Podemos notar que, em nossas casas, no nosso trabalho, bem perto de nós, sempre temos a oportunidade de contado com idosos.

Se observarmos atentamente, este estilo jovial de velhice depende, e muito, da personalidade do indivíduo, como em qualquer faixa etária ou grupo social. A juventude idosa não parte dos indivíduos de terceira idade, mas de uma gama de propagandas, novelas, redes sociais, etc., que trazem essa imagem jovial que já tem se transformado em algo estereotipado. 

Não queremos aqui demonstrar que é impossível uma relação de jovialidade e velhice, mas que esta não se deve apenas ao aumento da expectativa de vida, ou de uma gama de idosos que se preocupa com a saúde física.


Se trouxermos para a realidade do idoso paraense, apesar do advento de academias ao ar livre proposta pela prefeitura de Belém, o idoso da nossa capital não possui políticas públicas voltadas para as suas necessidades, principalmente no que concerne a estruturas das vias de acesso, como a falta de calçamento adequado, poucos espaços nos ônibus para as prioridades, enfim, um descaso com a questão do idoso. Percebemos que a ideia de idoso jovial está bem distante do que vemos na TV ou internet.

O retrato que vemos é da fragilidade e da falta de respeito com os ditos da “melhor idade”. Se formos focar na saúde, o problema piora. A saúde pública do Brasil se arrasta a olhos vistos e sabemos que a saúde do idoso requer cuidados diferenciados. Não vemos um suporte para o atendimento à terceira idade, apenas programas, poucos, que se voltam para esta parcela da população.

Voltando à questão dos idosos nas mídias, percebemos que a imagem destes tem se mostrado demasiadamente estereotipada, embasada por uma menor parcela desta faixa etária. Sabemos que há uma fração minoritária de idosos com o aspecto jovial, mas que ainda há problemas no que concerne o que de fato é o idoso do século XXI.

REFERÊNCIAS 
BEZERRA, Ada Kasea Guedes. "A construção e a reconstrução da imagem do idoso pela mídia televisiva". Não consta o ano. Disponível em: www.bocc.ubi.pt

TEZZA, Rafael; BONIA, Antônio Cesar. "O idoso e a internet: uma etnografia sobre interação e aprendizagem". In: Perspectivas da Ciência da Informação, v.15, n.1, p. 185-197, jan./abr. 2010.

JENKINS, Henry." Cultura da convergência". São Paulo: Aleph. 2008.

KELLNER, Douglas; SHARE, Jeff. "Educação para a leitura critica da mídia, democracia radical e reconstrução da educação". In: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300004

Vídeo do Parafernalha. Disponibilizado youtube no dia 09/12/2013 

Vídeo do Pânico na Band. Disponibilizado no youtube no dia 16/10/2013

EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL: Causas, consequências e políticas de enfrentamento

Universidade Federal do Pará
Instituto de Letras e Comunicação
Faculdade de Letras
Disciplina Recursos Tecnológicos
Professora Ivânia Neves
Dezembro/2013

Alene Caroline de Souza Balieiro
Heidiane Melo Mota
Hellen Patrícia da Conceição Góes
Juliana Yeska Torres Mendes

A exploração sexual de crianças e adolescentes é um dos temas mais abordados atualmente. Isso não quer dizer, no entanto, que seja algo recente, pelo contrário, esse é um problema que vem sendo discutido há muito tempo.  O número sobre exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes aumentam dia-a-dia. O bom é que o número de denúncias também aumenta, fazendo com que cresça também a perspectiva de mudar esse quadro, acabando com essa crueldade. A foto a seguir representa a realidade de muitas crianças brasileiras.


A prostituição infantil é o comércio carnal da criança ou do adolescente, os quais recebem em troca: dinheiro, presentes, ou substâncias tóxicas. As crianças tornam-se vítimas de diversos aliciamentos por adultos: aqueles que vão em busca de sexo fácil e barato, e aqueles que lucram, corrompendo os menores e conduzindo-os ao mercado da prostituição. 

Causas
A pobreza e a exclusão social algumas causas que podemos citar, mas há outros motivos que também devem ser considerados. Também para além da pobreza, o desenvolvimento de vícios por drogas conduzem essas crianças a uma situação deplorável e de extrema necessidade de cuidados especiais. Para atenderem às imposições da dependência química que as dominam, vendem seus corpos para conseguirem algum dinheiro para a compra de drogas, ou mesmo aceitam fazer programas tendo como pagamento a própria droga.

A família, independente da classe social, é outro fator que poder ser responsável pela busca dessas crianças a esse mercado exploratório, visto que algumas dessas crianças não possuem uma base sólida familiar, sofrem com os conflitos que as cercam no ambiente familiar e com isso aumenta a evasão para as ruas e para os lugares em que se agenciam a exploração sexual.  Na tentativa de se ver livre de opressão e de maus tratos, acabam fugindo e se deparando com o mercado exploratório.

Outro complicador desta questão é o chamado turismo sexual, o qual consiste na chegada de vários estrangeiros a regiões como o Nordeste brasileiro em busca de sexo. Meninas pobres, moradoras das regiões periféricas e precárias ao redor dos grandes centros ocupam as principais ruas e avenidas para se oferecerem como mercadoria barata neste mercado do sexo que se estabelece em endereços turísticos por todo o Brasil, principalmente nas praias nordestinas. A educação precária e a miséria extrema são outros motivos.

Consequências
As consequências para a as crianças são diversas, tais como: baixa autoestima, fadiga, confusão de identidade, ansiedade generalizada, medo de morrer, uso de drogas; e orgânicos como atraso no desenvolvimento e problemas na garganta,  contaminação pelo vírus da AIDS, doenças sexualmente transmissíveis contraídas pelo ato sexual sem a devida proteção. Muitas vezes, pela situação de inferioridade em que vivem,  não podem exigir de seus parceiro o uso de preservativos, gravidez precoce – e em muitos casos abortos feitos clandestinamente -, agressões físicas e psicológicas. O processo de reabilitação e reinserção dessas crianças na sociedade pode ser lento e gradual.

Esse tipo de exploração, assim como outras que não envolvam crianças funciona como um tipo de comércio. Cabe, então uma indagação: por que comércio? 

Comércio, porque a prostituição é visto como uma meio fácil de obter lucros por das redes de exploração que ocorrem tanto no mercado formal (hotéis, postos, motéis) quanto no informal (casas de prostituição, margens de estradas), que podem ser organizadas ou não. Isso é mais comum nas cidades pequenas e isoladas do Nordeste do país, geralmente em rodovias e/ou postos de gasolina, onde caminhoneiros e viajantes exploram a situação financeira precária dos menores. 

O filme "Anjos do Sol", de Rudi Lagemann, é um filme brasileiro que trata sobre a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, um exemplo do que acontece com nossas crianças.


A exploração sexual infantil ainda é a nossa realidade, entretanto, é importante enfatizar os avanços nesta luta. No Brasil, em 2000, institui-se o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, assim como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infantojuvenil, comemorado em 18 de maio.

Em 13 de julho de 1990, foi criado o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) com o objetivo principal de proteger a integridade de crianças. Nesse estatuto há várias leis que amparam e protegem os menores, como exemplo, o artigo 4°, que dispõe a responsabilidade sobre a criança e adolescente:
Art. 4º. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único: A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

É necessário que nossos representantes e toda a sociedade, inclusive nós professores, tenhamos consciência e façamos valer o que determina os artigos 19 e 22 do ECA, que registra:

Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

Para saber mais:

Plano de aula sobre mídia e racismo
Atividade para uso em sala de aula sobre mídia e racismo

REFERÊNCIAS
JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph. 2008.

KELLNER, Douglas; SHARE, Jeff Educação para a leitura critica da mídia, democracia radical e reconstrução da educação. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300004

http://www.andi.org.br/sites/default/files/legislacao/Viol%C3%AAncia%20contra%20a%20crian%C3%A7a%20e%20o%20adolescente_%20Explora%C3%A7%C3%A3o%20Sexual%20Infanto%20Juvenil%20e%20Prostitui%C3%A7%C3%A3o%20Infantil%20%28monografia%29.pdf

http://www.webartigos.com/artigos/exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes/23289/

http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_03.pdf