quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vizinhanças híbridas em Belém

2 PPN 1
Renata Teodozio
Ismailana Moura
Victor Azevedo


O termo “Culturas Híbridas” pode ser definido como um rompimento entre as barreiras que separa o que é tradicional e o que é moderno, entre o culto, o popular e o massivo. Em outras palavras, culturas híbridas consiste na miscigenação entre diferentes culturas, ou seja, uma heterogeneidade cultural presente no cotidiano do mundo moderno. A modernidade é constituída de culturas híbridas, tal como a globalização. O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa facilitou consideravelmente essa hibridação.

A gestão de um espaço urbano marcadamente fragmentado, que produz e acentua desigualdades, coloca-se hoje como o grande desafio político ao poder público municipal. Aproveitar recursos, sempre escassos, quando se tem em vista a escala urbana a que se destinam e sobre a qual se deve atuar, implica a formulação de políticas públicas ancoradas em um sólido conhecimento da realidade e fortemente direcionadas a objetivos claros e específicos.


A abordagem anterior fala sobre a hibridização cultural que podemos identificar em um vídeo feito em uma importante rodovia da capital paraense. O vídeo aborda a proximidade de diferenças sócio-econômicas e mostra um condomínio de luxo que é vizinho de um conjunto habitacional de classe média baixa, o VT deixa claro essa diferença principalmente na estética dos dois lugares.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Multilinguismo na Amazônia

Diana Ramos Silva
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Lietrária
Unama- 2010
A região amazônica é guardiã de mistérios e de belezas, de cores e de encantos, de sabores e de cheiros bem particulares!
É neste cenário das diversidades, que se estuda e se observa o multilinguismo, que não permite estabelecer regras estanques, tampouco oficializar uma única língua, o português. Devemos valorizar as pluralidades lingüísticas de nossa região, sobretudo a pluralidade da língua indígena.

Vista aérea da aldeia Dimini do povo Yanomami
(pib.socioambiental.org)
As situações de multilinguismo na região amazônica mostram que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bem diversificada, ou seja, existem os que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas. Isto resulta num caldeirão lingüístico rico e promissor ao estudo da sociolingüística, sobretudo quando se ratifica a importância do estudo das línguas dentro das práticas sociais.
Antropólogos, Sociolinguistas entre outros pesquisadores correlatos que estiveram em diferentes comunidades indígenas na região amazônica, depararam-se com usuários que falam apenas a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. Todas estas diferenças não impedem que as relações humanas sejam efetivadas, bem como as necessidades satisfeitas, pois as comunidades interagem e socializam-se, de modo que o multilinguismo acaba enriquecendo os vínculos sociais.

Etnia Maku (pib.socioambiental.org).
Segundo o professor Aryon Rodrigues: “Atualmente, no Brasil, são conhecidos dois grandes troncos lingüísticos: O Tupi e o Macro-Jê. Há também nove famílias lingüísticas que não são classificadas em troncos> Isso sem contar que existem sociedades indígenas que vivem isoladas, cujas línguas não são conhecidas. Mas ainda existem poucos estudos sobre as línguas indígenas no Brasil.”
Nos casos em que as comunidades indígenas elegem uma das línguas – chamada língua franca - a ser utilizadas por todos para superar barreiras de comunicação, há convivência nas aldeias do multilinguismo. Há casos em que o português funciona como língua franca, noutros em que o Nheengatuu – língua geral da Amazônia - passa a ser corrente nos grupos indígenas. Portanto, falar em língua portuguesa como língua oficial, é negar a riqueza cultural assim como a riqueza lingüística das comunidades indígenas


(pib.socioambiental.org).







terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tecnobrega, Cultura, Sociedade e Hibridismo

Haroldo Felipe Silva
Állan Campos
Segundo Semestre de Publicidade
UNAMA- 2010



Analisar o tecnobrega é muito corriqueiro entre acadêmicos e docentes de comunicação na cidade de Belém. Nos dias de hoje, esse estilo ou movimento quenasceu na periferia da cidade, conseguiu força suficiente para se impor e ser ouvido em várias partes da sociedade belenense e, o mais incrível, é que até nacionalmente o estilo está se tornando conhecido.
O movimento não precisou de grandes gravadoras, nem de produtores renomados que mandam e desmandam na essência do estilo. Eles tiveram sua própria criação, produção, edição e logística de marketing e vendas.Na verdade, as pessoas que trabalham no meio fazem de tudo, elas são os cantores, músicos, produtores, engenheiro de áudio, enfim tudo, da produção à distribuição, passando pela edição, todos são as mesmas pessoas.
Para esse feito, elas se valem de um instrumento muito democrático e altamente funcional que é o computador, simplesmente com um computador eles fazem todos esses processos e distribuem entre camelôs da cidade para comercialização. Dentro de semanas ou meses aquela música daquele CD distribuído por uma pessoa normalmente sem formação específica no assunto, e que teve que ser um autodidata com a tecnologia, estará sendo ouvido por uma grande parte da população.
Hoje, em festa de aparelhagem e até mesmo em festa de criança, a população escuta a música que movimenta uma grande parte da população.

Todas as classes sociais já não se importam em participar do movimento, o que é uma situação interessante e até difícil de ser compreendido, pois, a chamada classe média alta e alta ou High Brown (como preferem os comunicólogos), não se “misturava” com esses estilos. Alguma ignorância ou prepotência do passado os impedia. Hoje, o que se vê nas festas embaladas pelo tecnobrega é impressionante, pois estilos e classes se misturam ao som mecânico de Dj’s.

O que percebemos ao escutar o estilo é a grande hibridação que incide nas músicas e batidas. O processo é relativamente o mesmo de quase todas as músicas. A pessoa pega uma música internacional, quase sempre bem conhecida e utiliza apenas a melodia e o ritmo, troca a letra da música e coloca uma que tem a  ver com a sociedade local, entretanto, muitas vezes são letras que não dizem muita coisa. A hibridação ocorre a partir do momento em que os mass media massificam um determinado produto (nesse caso a música) e a partir dai uma cultura “local ”a utiliza, modificando alguns elementos originais, não que necessariamente se tire as características principais do produto.

Em Belém essas situações são corriqueiras e muito normais para quem vive aqui. Quem vem de fora estranha um pouco essas hibridações, por não achar normal. Certa vez, já me falaram que a coisa mais louca que viram aqui foi um spider-man de miriti. Não preciso falar mais nada né!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Entre cidades, rios e matas: quilombos, aldeias e o povo do judô - o multilinguismo na Amazônia

Maurício Ramos Lindemeyer 
Josiane Pereira dos Santos
Especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária - 2010
Universidade da Amazônia- UNAMA

Com frequência, ouvimos que no Brasil só se fala português. Será mesmo verdade?



O Brasil também é um país plurilíngue, onde se falam cerca de 200 idiomas, dos quais 180 são usados pelos grupos indígenas. Há também quase 30 línguas faladas pelas comunidades descendentes de imigrantes e duas línguas de sinais. O que nos distingue das outras ex-colônias lusas é que, no caso do Brasil, a língua portuguesa assumiu um status de língua de comunicação geral, uma língua franca.
A língua portuguesa é também a língua oficial do país e o código usado em todas as escolas brasileiras para o trabalho pedagógico. A exceção são as escolas indígenas para as quais a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) garantiu o ensino bilíngue. Estima-se que haja hoje 174 mil estudantes indígenas em escolas bilíngues ou multilíngues. Já as escolas monolíngues, que usam o português como código para transmissão de conhecimento, atendem a 53.028.928 milhões de estudantes matriculados no Ensino Básico, de acordo com o senso escolar de 2008 (MEC). (BORTONI-RICARDO)
Devemos entender que o Brasil, ao longo da história da humanidade, não foi uma terra sem dono e comprada por Portugal há uns 500 anos. Havia povos, os chamados pelos europeus de índios, que já habitavam as terras brasileiras e que possuíam outras línguas. Algumas continuam a ser usadas hoje. Poderíamos lembrar na Amazônia tanto os Aikewára, como os Xipaia, sociedades indígenas que falam línguas do tronco lingüístico Tupi, por exemplo.

Crianças Aikewára - Foto Maurício Corrêa

Para conviver com esses povos, o Brasil recebeu grande fluxo migratório e os grupos africanos foram os principais. Trazidos para atender aos interesses econômicos da Europa, os negros africanos tentaram preservar a sua cultura e resistir à dominação lusitana. Para isso, os negros que conseguiam fugir das senzalas se reuniam em comunidades, os quilombos, onde podiam se defender da recaptura bem como preserva parte de suas culturas e de suas línguas.
Na região Amazônica, encontramos inúmeras comunidades quilombolas, como a comunidade do Curiaú, em Macapá-AP, ou as comunidades Peafu, Passagem, Curral Grande, Miri e Flexal, que ficam em Monte Alegre-PA. Com a abolição da escravatura e as atuais políticas de afirmação, grande parte das comunidades quilombolas passou a interagir com as cidades próximas e, com isso, os quilombolas não puderam preservaram tanto suas línguas, embora elas tenham influenciado fortemente o português brasileiro. Mas podemos apreciar a tradição dos quilombos em inúmeros festejos e no dia a dia de tais povos:

Foto da Festa de Santo Antônio, Curiaú, Macapá, Amapá.


                   



















E o povo do judô?
Para continuar a evidenciar o multilinguismo na Amazõnia, ressalta-se os japoneses:
Em setembro de 1929, aportaram na cidade paraense de Acará, atual Tomé-Açu, os primeiros imigrantes japoneses na região amazônica. Naquele ano, a economia mundial passava por uma grande crise à qual o Japão não ficou imune. Naquelas circunstâncias, muitos japoneses sonharam com as terras sul-americanas e atravessaram os oceanos. (Embaixada Japonesa no Brasil).
Ainda segundo a Embaixada Japonesa, hoje a comunidade nipônica no Brasil é composta por mais de 160 mil pessoas, as quais cultivam seus costumes e, muitos, a língua.
Como vimos, falar em uma língua única no Brasil é excluir o país do processo histórico, bem como não enxergar um fato enriquecedor da nossa nação: a diversidade cultural ressaltada na diversidade linguística. Por isso, somos o país dos quilombos, aldeias e do povo do judô, como de tantas outras comunidades.

Referencial:
Artigo: Problemas e tendências no trabalho educacional com a língua portuguesa considerando sua condição de língua majoritária no Brasil. Bortoni-Ricardo, acessado: http://www.stellabortoni.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=663:palistaa_oo_ioogaisso_ii_liogua_poatuguisa&catid=1:post-artigos&Itemid=61
aikewara.blogspot.com
Sobre os Japoneses no Brasil, acessado: http://www.br.embjapan.go.jp/boletim/amazonia80.htmhttp://wapedia.mobi/pt/Amazonas?t=4.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Hibridismo e Globalização no Ver-o-Pêso

2 PPN 1
Rayra Janau
Ana Caroline Silva

O mundo globalizado assume o hibridismo cultural de forma cotidiana e comum aos indivíduos e culturas. O conceito de hibridismo, segundo Canclini, compreende união de etnias, fusões artísticas, comunicacionais, viagens e processos globalizadores. São nesses processos, que se pode observar as transformações da época atual, culturas tradicionais e fechadas se rendendo à globalização de forma natural, imperceptível a quem está envolvido, como é o caso da feira do Ver-o-Peso.


Artigos à venda em barracas do Ver-o-Peso

O Ver-o-Peso é reconhecido internacionalmente como um marco tipicamente paraense, inicialmente, uma feira popular no centro histórico da cidade onde se encontra os principais produtos que identificam a cultura local; comidas típicas, cheiros, acessórios, artesanatos. Porém não houve como se distanciar do hibridismo e os processos de globalização da cidade de Belém influenciaram no mercado.


A feira, atualmente, dispõe de produtos (e falsificações de produtos) de multinacionais, o que demonstra a influencia do capitalismo. Além dos sucos de frutas regionais, é possível facilmente encontrar refrigerantes da marca Coca-Cola. Junto às sandálias de couro e palha estão as similares à Melissa e marcas nacionais. Os artesanatos também assumem temas universais, como renas e pinheiros feitos de patichouli pra o natal. As roupas com temas locais (que por si já são híbridas, direcionadas ao mercado de turismo) disputam lugar com as réplicas.

Não é correto dizer que essa mistura propõe condições iguais e ganhos para todos os lados, entretanto, é importante perceber que o hibridismo não destrói uma das culturas em detrimento da outra e sim permite que elas convivam em um mesmo espaço. A feira continua sendo tradicional e contendo produtos tradicionais, mas oferece opções mais amplas para quem a freqüenta.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Múltiplas identidades na Amazônia

Praça da República, em Belém
Foto: Monica Cruvinel

Vivemos um momento bem particular da história da humanidade, o início do século 21. A dinâmica e o alcance dos meios de comunicação, de nosso tempo, acabam por nos bombardear de informações. A internet, com suas redes sociais, a televisão a cabo e o telefone celular, responsáveis em grande parte por esta realidade, representam, hoje, alguns dos novos rumos da comunicação humana.
As notícias já não se renovam diariamente, seguindo a dinâmica dos jornais impressos ou dos telejornais. A internet, e sua transmissão em tempo real confere uma nova forma de pensar a cultura midiática contemporânea. Os twitts atualizam a informação a cada segundo. Por outro lado, ao contrário do que se imaginava no início do século XX, a tecnologia não resolveu o problema da distribuição de renda no planeta, nem tampouco diminuiu a destruição do meio ambiente. Vivemos em um grande paradoxo: banda larga e equipamentos muito potentes, mas restrito apenas a uma pequena parcela da população.
A globalização resultante desta nova dinâmica da comunicação também interfere em uma nova significação para ciência. Se no início do século XX, a antropologia, a sociologia, a lingüística e a psicologia começavam a se firmar como ciências autônomas e precisavam demarcar claramente as fronteiras que as diferenciavam, hoje, é complicado querer limitar a compreensão de uma manifestação histórico-cultural, considerando apenas uma ciência. E há necessidade de diálogo com várias disciplinas, como a lingüística, a literatura e a semiótica, por exemplo.
O grande mosaico cultural que constitui a cultura brasileira é parte integrante deste novo cenário internacional, portanto, estamos inseridos nesta nova forma de globalização. Mas, não nos podemos esquecer de que a cultura brasileira, ou melhor dizendo, as “culturas brasileiras” contemporâneas são representações sociais que passaram e continuam passando pelos processos de transformações sociais de nosso país.
A universidade brasileira, por sua vez, precisa se localizar neste “novo mundo”. E, principalmente, redefinir suas posturas diante das diferenças que a constitui. Se historicamente sabemos que no Brasil, universidade nasceu para servir ao “macho, adulto, branco”, hoje, já não podemos mais silenciar as múltiplas identidades que constituem nosso país, com uma população formada por descendentes de índios, negros, europeus, libaneses, árabes...
Este mês, estamos reativando o breadosonline.blogspot.com. A partir de hoje, semanalmente, serão feitas novas postagens sobre processos de hibridização na cidade de Belém, de autoria dos alunos de publicidade da Unama.
Com quase 400 anos, a cidade de Belém exibe cenários múltiplos, onde podemos encrontar uma grande variedade arquitetônica. Como toda cidade latino-americana, tembém exibe suas paisagens a desigualdade social. Se encontrmos edifícios luxuosos, de momentos diferentes da história da Amazônia, por outro lado, a maior parte da população ainda não tem acesso ao saneamento básico.  


Se você desejar fazer uma postagem neste blog, envie um e-mail para ivanian@bol.com.br

domingo, 8 de agosto de 2010

Projeto "Crianças Suruí-Aikewára entre a tradição e as novas tecnologias" do curso de Comunicação Social da UNAMA, no Jornal Nacional

Não era problema de conflito de terra, de prostituição, de políticos corruptos, de denúncias contra médicos ou policiais. Nesta última sexta-feira, 06 de agosto, o Pará esteve no Jornal Nacional, da Rede Globo, por causa do nosso projeto.


Todos sabem bem o poder mítico da Rede Globo no Brasil. E é muito importante que a matéria tenha traduzido nossa forma de pensar a realidade das sociedades indígenas atualmente, sociedades que vivem nas fronteiras.

A matéria não tratou os Aikewára como exóticos e nem demonstrou o preconceituoso estranhamento diante de índios que convivem com o novo.

Este projeto é muito significativo para os Aikewára e para nós, como universidade. Ficamos extremamente felizes de poder colocar nossa pesquisa em diálogo com a cultura Aikewára. O projeto, do curso de Comunicação Social da UNAMA mostra como a tecnologia pode ter responsabilidade social e atesta nosso compromisso com as populações tradiconais da Amazônia.

A única coisa que lamento é que não estava lá com os Aikewára, quando passou no Jornal Nacional. Queria vê-los. Queria inclusive que este texto tivesse sido escrito em conjunto com eles. A próxima postagem sobre esta matéria vai trazer a impressão deles.

No G1 também há uma matéria escrita sobre o projeto.Leia mais...

Ivânia dos Santos Neves

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A ÉTICA JORNALÍSTICA NO CASO ESCOLA BASE

Raissa Araújo do Rosário Silva

Aluna do Curso de Jornalismo - 1o. Semestre

RESUMO

O objetivo desse artigo é destacar a importância da ética no exercício do jornalismo. Tendo como fundamento o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (2007) e o "Caso Escola Base", de 1994, um acontecimento que teve grande repercussão na mídia e provocou o linchamento social dos acusados que posteriormente tiveram a inocência comprovada. Por falta de consistência dos fatos ou surgimento de dúvida, é recomendada uma boa investigação, de modo que venha para anular qualquer tipo de contradição. Visto que, antes de se divulgar uma informação, a apuração dos fatos veiculados é necessária, para garantir a sua veracidade e evitar que sejam transmitidas inverdades ou fatos que possam causar algum dano moral e social a pessoas inocentes.

PALAVRAS-CHAVE – Código de ética. Jornalismo. Escola Base.

1 INTRODUÇÃO

Apesar de haver inúmeros casos onde jornalistas e empresas jornalísticas – por falta de preparo ou bom-senso – faltam com os princípios éticos, escolhi um fato bem antigo, o Caso Escola Base (1994), por ter sido um escândalo que marcou profundamente a imprensa brasileira, para analisar e depois ressaltar a importância da ética no exercício do jornalismo. Episódio este, que desestruturou vidas pela informação mal-apurada de um repórter irresponsável, em que sua ânsia pelo furo falou mais alto que a ética.

No ano que ocorreu este caso, já existia e estava em vigor o código de ética para os jornalistas, votado no Congresso Nacional, em 1987. Daí o valor em abordar a relevância de se praticarem os princípios éticos na atividade jornalística, tendo como base no mínimo, o código de ética vigente e a responsabilidade de apurar os fatos com um grande número de fontes, principalmente quando se trata de uma acusação.

2 O CASO

Foi em março de 1994, em São Paulo, que a Escola de Educação Infantil Base sofreu uma denúncia de abuso sexual contra alunos, apresentada pelas mães de dois estudantes. Os seis acusados eram os donos da escola Ichshiro e Maria Aparecida Shimada, os sócios da instituição, Maurício e Paula de Alvarenga, e um casal de pais de outro aluno, Saulo e Mara Cristina Nunes

O delegado Edelcio Lemos, responsável inicialmente pelo caso, encaminhou as duas crianças para o IML, para a realização do exame de corpo de delito. A notícia ganhou notoriedade quando os acusados foram encaminhados a delegacia para prestar depoimento e a mãe de uma das crianças, Cléa Patente comunicou por telefone a Rede Globo. Embora o laudo do IML se mostrasse inconclusivos para se assegurar que as crianças tenham sido vítimas de atos libidinosos, o delegado afirmava em entrevistas que de fato o crime havia ocorrido, quando nem ele mesmo possuía provas concretas.

Mesmo com nada realmente comprovado, com base, somente, na persuasão de Edelcio e em laudos preliminares, durante dois meses, vários veículos de comunicação noticiaram comumente o “Caso Escola Base”. Apontando sem a devida apuração e investigação de todas as versões do fato, os seis acusados, indiscutivelmente, como culpados. Que passaram a ser vistos como monstros pela sociedade. E mesmo de forma distorcida e parcial, a história ganhou destaque, com direito a manchetes sensacionalistas. Tudo isso contribuiu para linchamento social dos acusados, depredação de suas moradias e da escolinha, que se tornaram vítimas posteriormente.

No entanto, em Junho de 1994, o inquérito policial do “Caso Escola Base”, foi arquivado por falta de provas de ter acontecido um crime, e não tendo nada no inquérito que incriminasse os acusados. Logo depois do arquivamento, a fim de serem ressarcidos, os supostos acusados deram inicio a uma ação jurídica por danos morais contra o Estado e alguns veículos de comunicação, que alegaram ter sido vitimas das informações passadas pelo delegado. Sendo que somente onze anos após o ocorrido, a Rede Globo foi condenada a pagar cerca de 450 mil reais para cada acusado no Caso Escola Base. Porém isto não foi suficiente para reestruturar a vida dos denunciados já prejudicados social, moral e psicologicamente.

3 FALANDO DA (FALTA DE) ÉTICA

A imprensa pôs os envolvidos numa situação constrangedora, a partir do momento em que ouviu e publicou este caso sem buscar sua veracidade. Rompendo assim com o artigo 4º do Código de Ética Jornalista, publicado em 1987 e já vigente na época, que ressalva: “O compromisso fundamental do Jornalista é com a verdade nos relatos dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”.

No artigo 2º, parágrafo II do código de ética da profissão fica estabelecido que: “a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;”. Entretanto se por um lado a intenção era comunicar a delação, considerada verdadeira, alertando a população sobre o tema, por outro, a mídia queria muito mais, ou melhor, criou um espetáculo midiático atrás de audiência e de leitores, apelando para o sensacionalismo, ferindo mais vez os princípios éticos, por colocar os interesses comerciais acima dos objetivos sociais e informativos que deram origem a profissão. Visto que, de acordo com no art. 11, parágrafo I, o jornalista não pode divulgar informações “visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica”.

Outro erro foi expor os indivíduos à opinião pública, que eram inocentes, por fundamentar-se apenas em suposições, que também ferem o exercício ético do Jornalismo, no sentido de que o profissional, em casos de denúncias ou até outros, deve apurar os fatos, ouvindo um grande número de fontes para transmiti-los com responsabilidade e com argumentos que sustentem uma acusação. Já que o público deposita total confiança nas notícias dadas por estes instrumentos de informação.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os jornalistas devem se conscientizar que o compromisso com a verdade e a apuração precisa dos fatos são os principais princípios éticos, que asseguram o bom exercício da profissão em seu papel social. No entanto, antes de publicar algum acontecimento de caráter social devem analisar a relevância do direito a informação e do direito individual de preservar a integridade física e social dos cidadãos, para que equívocos sejam evitados.

É inegável, que todo esse espetáculo midiático (indevido) do caso Escola Base, priorizou e obteve altos índices de audiência, o sensacionalismo não permitiu que se checasse da veracidade dos fatos e inibiu a reflexão de um caso social muito importante, que talvez pudesse ter trazido uma solução ou um melhor esclarecimento do assunto.

O público leitor ou ouvinte de um jornal deposita credibilidade nos veículos de informação, para tanto o emissor não pode tratar a notícia como um produto publicitário, que se limita a chamar a atenção de seu destinatário. Pois "a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor" (GARCIA MÁRQUEZ, 1996)

REFERÊNCIAS

Autor desconhecido. Caso da Escola Base. 7 ago. 2006. Disponivel: <http://nalu.in/66> Acessado em :30/05/2010

CODIGO DE ÉTICA DOS JORNALISTAS BRASILEIROS. Vitória. 2007. Disponível em <http://www.fenaj.org.br>. Acessado em: 29/05/2010.

MÁRQUEZ, GABRIEL GARCIA. A melhor profissão do mundo. 20 out. 1996. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/mat2010a.htm> Acessado em: 31/05/2010.

KARHAWI, ISSAAF. Caso Escola Base – O (não) cuidado jornalístico com a publicação de denúncias. 11 jun. 2009. Disponível em: <http://curiofisica.com.br/artigos/noticias>Acessado em: 30/05/2010.

O GLOBO ONLINE. Entenda o caso da Escola Base. 13 nov. 2006. Disponivel em: <http://oglobo.globo.com/sp/mat/2006/11/13/286621871.asp> Acessado em: 30/05/2010.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Festival Osga de Comunicação 2010

Foram mais de 350 espectadores! O Festival Osga de Comunicação do Curso de Comunicação da Unama foi um SUCESSO!

Obrigado aos alunos.
Obrigado à Coordenação do Curso de Comunicação da Unama.
Obrigado aos professores Manuela Vieira, Marcos Dickson e Roberto Moreira.
Obrigado ao nosso monitor Diego.
Obrigado à todos os jurados.
Obrigado à todos que incentivaram e ajudaram de alguma forma.
Obrigado à todos que foram assistir ao Festival.

Vinheta de Abertura do Festival Osga de Comunicação 2010
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Antes de Ouvir a Verdade
Ganhador de Melhor Filme e Melhor Roteiro
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Predatory
Ganhador de Melhor Atraiz e Melhor Edição
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Defensores do Império
Ganahdor de Melhores Efeitos Especiais
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Grazy
Ganhador de Melhor Figurino e Melhor Ator
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Fear
Ganhador de Melhor Fotografia
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Kalango Man
Ganhador de Maior Mico
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Sonora
Ganhador de Melhor Cartaz
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Patricinha no Paraíso
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A Encomenda
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A Fórmula da Ambição
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Tenha Dó
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O Caminho sem Volta
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Cartazes do filmes



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Múltiplas identidades, culturas híbridas e "tribos urbanas" em Belém do Pará

O sujeito previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado: composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas. Correspondentemente, as identidades que compunham as paisagens sociais “lá fora” e que asseguravam nossa conformidade subjetiva com as “necessidades” objetivas da cultura, estão entrando em colapso, como resultado de mudanças estruturais e institucionais, o próprio processo de identificação, através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais, tornou-se mais provisório, invariável e problemático.



Foto: André Castro

Segunda maior cidade da Amazônia, em forma de península, Belém está cercada pelas águas do Rio Guamá e da Baía de Guajará. No imaginário internacional e mesmo nacional, a região Amazônica é concebida apenas como uma grande floresta, que sofre com a devastação, embora vivam na região mais de 25 milhões de habitantes.
Belém é uma cidade da América Latina, com todos os contrastes sociais que caracterizam esta parte do continente. Uma realidade, que guardadas as devidas particularidades desenha também o cenário de tantas outras cidades da África e da Ásia, onde ainda exista o rastro do sistema de exploração imposto pelas metrópoles européias.
O trânsito da cidade é caótico e reclama de políticas públicas efetivas. A saúde e a educação públicas deixam a desejar. De forma geral, em 2010, vive-se uma sensação de desgoverno, parece que não há prefeito na cidade. Independente desta situação, no entanto, mais de dois milhões de pessoas vive na região metropolitana de Belém. 
Na cidade, há três grandes universidades públicas e a Unama, a primeira e maior universidade privada da região, em contrapartida, nos sinais de trânsito, é comum encontrarmos crianças fora da escola. Belém exibe um comércio forte, com três grandes shoppings funcionando a todo vapor e ao mesmo tempo um significativo comércio informal. Uma vista aérea mostra uma cidade com grandes edifícios, muitas construções e várias regiões de favelas.
Todas estas desigualdades traduzem perfeitamente o processo a que Nestor Canclíni (2006) chamou de “Modernismo sem modernização”. Belém exibe cenários absolutamente luxuosos, cujo acesso é privilégio de apenas uma pequena parcela da população. Sua paisagem revela como se organizam culturas híbridas, que mesmo depois de séculos ainda continuam marcando as profundas desigualdades que caracterizam a América Latina. Aqui, os países realizaram seus processos de independência política, mas ainda hoje, estamos bem distantes de chegar a condições sociais mais equitativas.
Em meio a este turbilhão de diferenças que constituem a cidade, diferente do discurso estabilizado que se tem internacionalmente sobre a Amazônia, há uma multiplicidade de identidades que constituem os moradores de Belém. 
No segundo semestre de 2009, a partir de uma fala feita para as turmas de publicidade do quarto semestre pela pesquisadora Monica Vasconcellos Cruvinel (Unicamp), que estuda culturas juvenis , resolvi discutir com meus alunos como os jovens de Belém se organizam  O eixo central desta discussão foi a forma como as "tribos urbanas" se organizam na cidade. E os alunos saíram a campo para investigar estas "tribos": Tecnobrega, Evangélicos, Homossexuais, Reggeiros, Emos e Patricinhas. Eles realizaram seminários sobre estas tribos urbanas e produziram pequenos textos para este blog.

 E o que é que vem à mente quando se fala em "tribos urbanas"? Exatamente o contrário dessa acepção: pensa-se logo em pequenos grupos bem delimitados, com regras e costumes particulares em contraste com o caráter homogêneo e massificado que comumente se atribui ao estilo de vida das grandes cidades. Não deixa de ser paradoxal o uso de um termo para conotar exatamente o contrário daquilo que seu emprego técnico denota: no contexto das sociedades indígenas "tribo" aponta para alianças mais amplas; 
José Guilherme Cantor Magnani

 A definição de "tribos urbanas", embora imprecisa foi a que se convencionou até aqui para tratar de grupos de jovens que se agregam nas grandes cidades. Será que podemos considerar os evangélicos como uma tribo urbana? E os homossexuais?
De fato, a definição, como discutimos em sala, não é conclusiva. Mas, a despeito desta inconclusão, o objetivo é falar sobre os jovens que vivem em Belém. Sem perder de vistas que criam e recriam suas identidades. Não é possível defini-los apenas como evangélicos ou homossexuais. Assim como todos nós, na pós-modernidade, os jovens de Belém transitam por múltiplas identidades, que envovlvem religão, sexualidade, música...
Em Belém e suas redondezas, há um grupo especial, que não poderia constar na relação de tribos urbanas de outras regiões do Brasil e do mundo: os jovens que se organizam em torno do Tenobrega e das festas de aparelhagem. Por esta particularidade regional, as primeiras postagens de trabalhos de nossos alunos que falam destas tribos urbanas em Belém, vão começar por esta "tribo". Na sequência virão os jovens evangélicos, os emos, patricinhas, reggeiros e homossexuais.
Ivânia dos Santos Neves

Tecnobrega: O ritmo musical mais híbrido do norte do Brasil.

Carla Bruna Barros Rodrigues
Emile Marques da Costa
Julianna Araújo Menezes
Lorena Seabra do Carmo
Rafaela Costa Corrêa 2PPN11

O tecnobrega é um estilo musical que vem crescendo muito no cenário paraense, esse estilo tem como predominância a mistura de estilos “importados”, de culturas que dizemos e achamos ser mais modernizadas ou melhores que a nossa. Utiliza recursos da technomusic e a manipulação de ritmos e timbres com a utilização de softwares baixados da internet. É uma mistura de “culturas”, que acaba por criar uma nova identidade para o povo paraense.
Hoje em dia, um paraense vai a outro estado, ou até a outra parte do mundo, e ao falar de onde é, logo lembram: “Da terra do Calypso?”. E essa acaba por ser nossa mais nova identidade entre milhares que já possuímos. Apesar de muitos não gostarem de ser intitulados dessa forma, ou não aceitarem esse rótulo, somos sim da terra do tecnobrega e da terra do Calypso, daquela terra em que há um mistura de ritmos, uma miscigenação de povos e culturas, de tecnologia que vem da periferia, uma terra “dona” de um “batidão”, que é como é chamado no nordeste o tecnobrega, que quando se escuta não tem como ficar parado.
O que chega a ser engraçado é a forma como tudo isso “veio á cena”, pois o tecnobrega é um ritmo que vem da periferia, um ritmo do “povão” como dizemos por aqui, e todo seu aparato tecnológico deixa qualquer DJ, de outra região, que toque qualquer estilo musical diferente, de queixo caído.
As aparelhagens paraenses são as que usufruem de maior tecnologia no Brasil. E esse fato volta a ser um hibridismo, ou seja, uma mistura formidável.
Não há como negar, ou como tentar provar o contrário, o tecnobrega é sim, o ritmo mais híbrido do Norte do Brasil. E isso não tem como ser contestado!



E essa é a mais perfeita forma que temos para provar que o tecnobrega é nosso. DJs Elisson e Juninho, que comandam a maior aparelhagem do estado (Super Pop), contam um pouco da história desse ritmo e Gabi Amarantos, deixa claro como o tecnobrega aconteceu. E pra ficar ainda melhor, Ela (Gabi Amarantos- Banda Tecno Show) e o vocalista da banda Timbalada (Denny), cantam juntos, colocando em pratica tudo que duvidamos na teoria, que a mistura de ritmos da certo. Êita Pará Pai D’égua!