domingo, 2 de julho de 2017

ANÁLISE DAS NARRATIVAS ORAIS INDÍGENAS BRASILEIRAS NO YOUTUBE

Universidade Federal do Pará
Faculdade de Letras
Disciplina: Recursos Tecnológicos no Ensino de Português
Docente: Ivânia Neves
Discentes: Ingryd Moraes de Moraes
                 Kelly E. Oliveira da Silva
                 Midiane Bento Figueiredo Rodrigues


  
https://issuu.com/brunaql/docs/narrativas_ind__genas_3
    A cultura indígena no Brasil, desde os tempos da colonização, foi sendo anulada, e, com isso, toda uma diversidade linguística e cultural ignorada e perdida. Atualmente, várias línguas e, consequentemente, vários aspectos culturais de vários grupos indígenas foram extintos. Pouco se vê, por exemplo, sobre o ideário e pensamento indígenas. Esse é o caso das narrativas orais dos povos indígenas. Essas narrativas geralmente são consideradas como lendas ou mitos, termo considerado pejorativo por Neves (2009), uma vez que desconsidera toda uma ideologia e pensamento de um povo, quando afirma que:
Embora rotuladas como mito, as narrativas orais indígenas são o conhecimento histórico destas sociedades, a forma como narrativizam suas experiências, organizam seus conceitos. (NEVES, 2009, p. 94)                   
Considerar ainda como essas narrativas estão presentes hoje em nossa sociedade, época em que predomina vários meios de comunicação, é de suma importância para percebermos como o pensamento das sociedades minoritárias está sendo disseminado.  
Trazendo a questão das narrativas para a educação nos deparamos com mais entraves. Pouco se tem falado sobre diversidade de pensamento e cultura nas escolas e apenas algumas narrativas orais indígenas chegam aos alunos, mais difícil ainda quando pensamos em como e onde encontrar tais narrativas.
Pensar e analisar sobre como e em quais meios são disseminadas as narrativas indígenas, as quais representam muito da diversidade cultural que possuímos, poderá trazer à tona um debate sobre as questões de igualdade e equilíbrio social, proporcionando aos povos indígenas e a nós maiores diálogos entre culturas, que, nos termos de Jenkins (2009), trata-se de uma cultura em que os conteúdos são convergidos e tratados por uma cultura de participantes ativos.
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/10-livros-historias-indigenas-folclore-brasileiro-738413.shtml

REFERÊNCIAS
JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em: http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/
NEVES, Ivânia dos Santos. Considerações sobre mito, história e ciência. In: A invenção do índio e as narrativas orais Tupi. Campinas, SP: [s.n.], 2009. p. 99-134.
  
PLANEJAMENTO DA OFICINA

TEMA: Análise das narrativas orais indígenas brasileiras no youtube

OBJETIVO GERAL
Analisar as narrativas orais dos povos indígenas brasileiros no youtube.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·         Demonstrar como a sociedade atual reconhece as narrativas orais indígenas.
·         Possibilitar ao aluno uma melhor percepção das narrativas orais indígenas por meio do teatro.
·         Promover a disseminação das narrativas orais indígenas no facebook.

JUSTIFICATIVA
Este trabalho justifica-se, entre outras razões, pela importância de se trabalhar narrativas orais indígenas em sala de aula, levando-se em consideração que ao estudarmos a cultura desses povos também estamos conhecendo a nossa própria cultura, uma vez que foram estes os povos que habitaram primeiro esta terra e deles fomos influenciados em muitos aspectos. Assim como estudamos vários outros povos que de alguma forma fizeram parte da nossa história, devemos também conhecer o mundo indígena, suas histórias, suas línguas, seus costumes e também suas influências.
Dentre os vários aspectos que podíamos explorar neste trabalho, optamos por trabalhar as narrativas orais indígenas por entendermos que essas narrativas revelam muito da história e concepção de mundo de cada povo.
Ao fazermos buscas dessas narrativas em diversos meios, observamos que as mesmas se fazem pouco presente nos meios sociais, com exceção do youtube, que apresenta várias narrativas de diferentes povos. Eis que surgiu a ideia de analisar as narrativas orais indígenas presentes no youtube e disseminar essas narrativas através de um outro meio muito utilizado atualmente, o facebook.
É importante ressaltar também que, levar a cultura indígena até a sala de aula faz parte das recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que ao tratar da pluralidade cultural diz o seguinte:
Há muito se diz que o Brasil é um país rico em diversidade étnica e cultural, plural em sua identidade: é índio, afrodescendente, imigrante, é urbano, sertanejo, caiçara, caipira... Contudo, ao longo de nossa história, têm existido preconceitos, relações de discriminação e exclusão social que impedem muitos brasileiros de ter uma vivência plena de sua cidadania. (BRASIL, 1997, p. 15)

Portanto, esse documento nos alerta sobre a discriminação e exclusão vivida por esses povos e sobre a necessidade de se levar a pluralidade cultural para a sala de aula, oferecendo informações que possam contribuir para a formação de novas mentalidades, voltadas para a superação de todas as formas de discriminação e exclusão.
A inclusão dos povos indígenas na educação faz parte da legislação atual. “Deve-se respeitar as línguas, as particularidades culturais e históricas desses povos” (NEVES, 2015).


METODOLOGIA
A oficina “Análise das narrativas orais indígenas brasileiras no youtube” tem duração de 20H e será realizada em 5 encontros.

Primeiro encontro (4 horas): Será disponibilizado aos alunos um texto-resumo, abordando a história dos povos indígenas brasileiros, a origem das suas narrativas e a importância delas para a cultura indígena em questão. Em seguida, os alunos já deverão desenvolver uma atividade, que compreenderá em pesquisas de narrativas orais indígenas mais recorrentes no youtube; os mesmos deverão escolher quatro narrativas.




Segundo encontro (4 horas): No primeiro momento da oficina os alunos iniciarão outra atividade de pesquisa de documentários, os quais devem contemplar alguém não indígena narrando uma lenda ou falando sobre ela. No segundo momento haverá uma atividade de produção teatral desenvolvida pelos alunos, cada grupo ficará encarregado de produzir o vídeo escolhido no youtube.

Terceiro encontro (4 horas divididas em 2 momentos de 2 horas cada): No Primeiro momento, será apresentada aos alunos uma página no Facebook, criada pelas próprias professoras com o objetivo de promover a disseminação das narrativas orais indígenas brasileiras. Nessa página os alunos deverão publicar todas as atividades realizadas durante a oficina. No segundo momento, as peças serão ensaiadas. Cada grupo terá trinta minutos para ensaiar a sua peça.

Quarto encontro (4 horas): Dia destinado aos ensaios das peças. Cada grupo terá trinta minutos para ensaiar a sua peça. Em seguida, se pensará como serão os cenários e quais os materiais necessários para sua montagem. Um aluno será escolhido para filmar através de um aparelho celular todo o ensaio, pois servirá de making off para ser inserido na página do facebook.

Quinto encontro (4 horas): Dia destinado à apresentação dos grupos. Enquanto os alunos apresentam, estarão sendo avaliados pelas professoras. Os critérios de avaliação serão: criatividade, fidelidade ao enredo da narrativa, expressão, cenário e arte no corpo. Haverá a filmagem das peças. Ao final das apresentações, os alunos deverão inserir os vídeos na página do facebook.



AVALIAÇÃO
A avaliação não consistirá em apenas avaliar a atividade final, mas todo o processo. Isto é, serão avaliados: frequência, participação e desempenho em todas as atividades.

RECURSOS UTILIZADOS
ü  Computador
ü  Caixa de Som
ü  Data show
ü  Material impresso
ü  Smartphone
ü  Teatro: Câmera digital, Cenografia, Figurino, Iluminação, Maquiagem, Sonoplastia.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALCÂNTARA, Flavia Graciela de. Narrativas orais e memória coletiva: uma proposta para pensar a formação de conceitos. Igualitária: Revista do Curso de História da Estácio BH, v. 1, n. 3, 2014.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: pluralidade cultural, orientação sexual / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 164p.
COELHO, Maria do Carmo P. As narrações da cultura indígena da Amazônia: lendas e histórias. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (tese), 2003.
JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em: http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/
NEVES, Ivânia dos Santos. Considerações sobre mito, história e ciência. In: A invenção do índio e as narrativas orais Tupi. Campinas, SP: [s.n.], 2009. p. 99-134.
NEVES, Ivânia dos Santos. Narrativas orais indígenas em sala de aula: música, interação social e transformação histórica. Leitura: Teoria & Prática, v. 33, n. 64, p. 129-143, 2015.




domingo, 4 de junho de 2017

A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA MÍDIA TELEVISIVA

Universidade Federal do Pará
Faculdade de Letras
Disciplina: Recursos Tecnológicos
Docente: Ivânia Neves
Andriele Pereira (UFPA)
Úrssula Cardoso (UFPA)
                Os negros fazem parte da teledramaturgia brasileira desde o início, mas sua imagem sempre foi estereotipada. Poucas vezes, e somente de uns anos para cá que o negro interpreta o papel de um rico empresário, de um grã-fino, de herói. Não é preciso uma longa análise hermenêutica para constatar que nos principais meios de comunicação de massa os negros ainda continuam sendo associados a antigos estereótipos como a “mulata sensual”, o “bandido” ou o “negro malandro”; e a profissões consideradas socialmente inferiores, como empregadas domésticas e jardineiros. No fundo, passa uma imagem de desleixo, falta de responsabilidade ou mesmo de marginal, o que é altamente negativo para fixação do seu caráter, sem citar ainda as campanhas publicitárias, onde raros os rostos de pele escura.
   Mas a TV é apenas o espelho do preconceito. A ausência do negro na TV ou sua imagem subalterna, quando aparece, são consequências de um preconceito racial gerado pela exclusão social das populações negras do país, as mais marginalizadas e que apresentam os indicadores sociais mais desfavoráveis - apesar de o Brasil ser um país miscigenado, com predominância negramesmo na sociedade brasileira atual, negros e índios "continuam vivendo as mesmas compulsões desagregadoras de uma autoimagem depreciativa, gerada por uma identidade racial negativa e reforçada pela indústria cultural brasileira, a qual insiste simbolicamente no ideal de branqueamento" (ARAÚJO, 2000).
   Entre 1880 e 1990 houve algumas mudanças nesse pensamento, ainda que tímidas. A telenovela Corpo a Corpo, onde aparece uma personagem vítima de preconceito racial, Sonia, vivida pela atriz Zezé Motta. Essas duas décadas são consideradas como um período de ascensão do negro na telenovela brasileira. No entanto, teria permanecido a construção de uma identidade de "branquitude" na sociedade brasileira, onde as imagens dominantes reforçam o elogio dos traços brancos como o ideal de beleza dos brasileiros. A nossa diversidade racial e cultural transforma-se, nas telenovelas, no paradoxo de um Brasil branco.
   O nefasto estereótipo da mulher de cor associado à libido, por exemplo, encontrou nos meios de comunicação de massa um terreno fértil para a sua propagação. Nas principais telenovelas da Rede Globo, geralmente as atrizes negras interpretam a mulher de vida fácil, a “gostosona” ou a amante. Em 2004, a primeira trama protagonizada por uma atriz negra (Tais Araújo) trazia o tendencioso título de “A Cor do Pecado”. Não obstante, o polêmico seriado “Sexo e as Nêga”, que estreou recentemente, ao exibir várias cenas de mulheres negras em situações libidinosas, só confirmam a tese de que, em pleno século 21, a grande mídia brasileira ainda continua sendo norteada por um sexismo racista herdado do período escravocrata.
   Além da estigmatização em telenovelas, os negros também são ridicularizados nos programas de humor, tratados de maneira humilhante nos programas policiais e encontram em publicações da imprensa conservadora, um importante obstáculo para as suas principais causas e reivindicações. Em suma, mais de trezentos anos após a sua morte, a luta de Zumbi dos Palmares pela verdadeira libertação do negro continua atual.
   Existe uma ação deliberada para além de sub-representar, colocar os negros e negros em patamar de desigualdade, de inferioridade. E isso é prejudicial para quem assiste. Para o jovem negro ou para a criança que está em período de formação da sua identidade isso é extremamente nocivo, pois exerce forte influência na forma de viver e de se relacionar com o mundo. Precisamos de mais negros jornalistas, repórteres, atores, atrizes, políticos, apresentadores ocupando o seu merecido espaço na mídia brasileira.
   Chegou o momento de exercemos o nosso direito à comunicação e para isso necessitamos de veículos de comunicação feitos por negros, por afros descendentes, que exista uma mídia negra efetivamente no Brasil. Esta mídia vai ter nosso ponto de vista sobre temas atuais do nosso cotidiano. Somente com a democratização da comunicação poderemos apresentar os fatos com veracidade, e libertar o Brasil da ignorância.
     O filme a seguir faz referência a esta discussão: A negação do Brasil


REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Joel Zito. A negação do Brasil. Editora Senac, 2000. https://www.youtube.com/watch?v=gVnxFvMaLSw  
JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009.

 Planejamento da Oficina
Público – alvo: alunos do 3º ano do ensino médio
Duração: 20h.

JUSTIFICATIVA
     O presente plano de ensino surgiu como pré-requisito para aprovação na disciplina Recursos Tecnológicos, ministrada pela professora Ivânia Neves na Universidade Federal do Pará para os alunos do 7º semestre do Curso de Letras com habilitação em Língua Portuguesa. Este projeto visa mostrar como o negro é apresentado nas mídias, sobretudo a televisiva, a qual a maioria dos alunos tem acesso. Tal projeto assume grande importância para compreensão da inserção do negro na mídia televisiva, “se o público não tiver ideia das discussões que estão ocorrendo, terá pouco ou nada a dizer a respeito de discussões que estão ocorrendo, terá pouco ou nada a dizer a respeito de decisões que mudarão drasticamente sua relação com os meios de comunicação” (JENKINS, 2009)
       Com o título “A representação do negro na mídia televisiva” pretendemos ilustrar como o negro é configurado no espaço da TV, e a partir disso, explorar o que Jenkins afirma: “a convergência envolve uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação”, dessa maneira, construiremos uma visão mais crítica do verdadeiro lugar do negro na mídia televisiva.
OBJETIVOS
GERAL
Mostrar como o negro é apresentado diante dos recursos midiáticos.
 ESPECÍFICOS
ü  Identificar como o negro é apresentado em diferentes épocas na mídia televisiva;
ü  Estabelecer a relação entre o negro e a sua caracterização no espaço midiático;
ü  Relatar quais tipos de ações preconceituosas aparece na televisão;
ü  Desmistificar a imagem produzida pelas redes televisivas relacionadas ao negro;
ü  Desenvolver um posicionamento crítico sobre o lugar do negro na sociedade.

METODOLOGIA
            A oficina se dará no período de 20h, que será dividido em cinco aulas, ou seja, quatro horas por aula. As aulas serão na forma de discussão do tema com produções transmidiáticas e avaliação de forma contínua.

Aula 1
1°momento
            No início da aula, será apresentado o tema da oficina e realizado um breve diálogo acerca do que os discentes sabem e o que observam na televisão sobre a presença do negro em diversas programações.
2° momento
            Vamos exibir um trecho em vídeo de uma cena da novela “Escrava Isaura” escrita por Bernardo Guimarães, e contextualizar a história da realidade do negro naquela época e criar uma roda de conversa com alunos sobre o que conhecem da história dos negros na época da escravidão.
3° momento
Mostraremos algumas imagens que retratem o negro na televisão nos dias atuais e fazer uma roda de perguntas referentes às diferenças observadas do papel no negro nas novelas de época e nas de hoje.

Aula 2
Negros na publicidade
1° momento
A aula terá seu início com uma indagação sobre o que os alunos já observaram como o negro aparece em propagandas.
2°momento
            Serão mostradas imagens para que os alunos possam atentar para o negro em propagandas televisivas.
3° momento
            Como atividade, será proposto que os alunos produzam propagandas em cartazes que possam colocar um negro em espaços que normalmente só podemos notar a presença do branco.

Aula 3
1º momento
            Os alunos deverão procurar na internet, quais as situações de preconceitos divulgadas nos telejornais que mais repercutiram recentemente.
2º momento
            Com base nesses vídeos apresentados, os alunos deverão produzir um vídeo de cunho jornalístico, relatando algum caso referente ao racismo na sua realidade.

Aula 4
Negros e a visão sensualizada
1° momento
            Será apresentado o vídeo de abertura da novela Da cor do pecado, disponível em: https://globoplay.globo.com/v/2168372/ e um vídeo da série da Rede Globo Sexo e as Negas disponível em http://gshow.globo.com/programas/sexo-e-as-negas/videos/t/episodios/v/cozinheira-em-casa-de-familia-soraia-e-surpreendida-por-patrao/3634403/, por fim, será mostrada uma imagem da maneira como a mulher negra é vista.
2° momento
            Como modo de reflexão, será proposto uma discussão do verdadeiro lugar da mulher negra na mídia televisiva.
3° momento
            Como meio de facilitar o andamento da próxima aula, proporemos a criação de um grupo no Facebook direcionado a oficina.

Aula 5
Reflexão sobre o preconceito
1° momento
            Será apresentado o vídeo “Alunos da UNB usam cartazes na internet para denunciar o racismo”:

2° momento
            Como demonstrado no vídeo, os alunos deverão se fotografar de forma que possam passar a imagem tanto de denúncia contra o racismo, quanto de uma maneira que chame a atenção para a superação da visão preconceituosa na qual os negros são vistos.
3° momento
            Para finalizar a oficina, os alunos poderão compartilhar essas fotografias no grupo criado no Facebook.

AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada em diversos momentos: círculo de conversa, debate, elaboração de cartazes publicitários, criação de um grupo no Facebook e postagens nesse grupo.

RECURSOS MATERIAIS (TECNOLÓGICOS)
·         Computador;
·         Data-show;
·         Caixa de som;
·         Câmera


terça-feira, 2 de maio de 2017

A APROPRIAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS PELOS POVOS INDÍGENAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO
FACULDADE DE LETRAS
RECURSOS TECNOLOGICOS
PROFESSORA DRª IVÂNIA NEVES

ALUNAS: DÉBORA SOUZA, JANAINA SOUZA E LANNA DALMACIO



          As redes sociais online possibilitaram que lideranças indígenas mostrassem aspectos de sua cultura, assim como suas reivindicações em diversas oportunidades, proporcionando que esses sujeitos pudessem ser, de fato, protagonistas de sua própria história, construída com os seus pontos de vista e visões de mundo, compartilhados conosco.  Na era digital, a demanda faz e produz aquilo que deseja em um processo veloz de circulação de conteúdos e informações de variados tipos, ao que damos o nome, segundo Jenkins (2009) de cultura participativa por meio das mídias sociais.
       A internet, esse novo meio de sociabilidade, quebra os paradigmas sociais, mediada por perfis de facebook de indígenas, colaborando com a construção de uma realidade social complexa e multifacetada dos povos indígenas que passam por uma grande ressignificação do que é a Identidade indígena.
        Neste contexto, apresentaremos o modo como os indígenas propagam seus pontos de vista diante do mundo. Considerando que as Redes sociais vêm se expandido, e é onde os povos indígenas já reivindicam seus espaços diante da sociedade. 

JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em:http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/. Acessado em: 04 de fev. de 2017, 15h23min.




PLANO DE AULA

Publico Alvo:Alunos do 9º Ano / Ensino Fundamental.
Carga Horária: 20 h, divididas em 5aulas de 4 horas

Objetivo geral
ü  Contribuir para que os alunos desenvolvam o senso crítico acerca da cultura indígena e sua importância para a formação histórico-cultural brasileira, considerando suas apropriações das mídias sociais na internet.
Objetivos específicos
ü  Apontar como foi cunhada a imagem do índio no processo de colonização.
ü  Discutir sobre a apropriação de tecnologias por etnias indígenas.
ü  Formular um debate sobre o preconceito recorrente da apropriação das mídias sociais pelas etnias indígenas.
ü  Desconstruir a visão conservadora que se tem sobre essa apropriação pelas etnias indígenas.

Recursos Didáticos
Computadores, celulares, caixa de som, data show e recursos audiovisuais.

JUSTIFICATIVA
            A justificativa que sustenta este plano de ensino está pautada na presença indígena na Internet e a utilização das ferramentas da web colaborando para o fortalecimento das práticas midiáticas, possibilitando e potencializando uma maior representação e mobilização social dos povos.
Os usos da internet pelos indígenas é um tema que vem provocando uma mudança na maneira de enxergá-los, pois eles estão deixando de ser uma produção de terceiros, exteriores aos povos que tecem pesquisas, textos e interpretam sobre os originários. Mas, a disposição em rede de fluxo de informações horizontalizadas permite que os próprios indígenas passem de meros objetos à autores dos seus próprios relatos, uma vez que são os próprios indígenas que produzem suas narrativas de caráter autoetnográfico, transmitindo através do discurso, a imagem que fazem de si e sobre as questões que desejam ver publicadas na relação deles com a sociedade nacional em geral.

METODOLOGIA
A metodologia proposta está dividida em uma carga horária de 20h. Utilizaremos como ferramentas principais as redes sociais e tipologias/gêneros textuais diversos, com o intuito de oferecer ao aluno um panorama do modo como o indígena se apropria das mídias sociais sem perder sua identidade.

1ªAula:
ü  1º momento (1h30min): Haverá uma discussão sobre o tema. Começando por apresentar um parágrafo da Carta de Caminha em slide, para que os alunos vejam, leiam e percebam como nos foi dado a entender a imagem do índio no Brasil no período da colonização.
ü  2º momento (30 min):Será distribuído entre os alunos, esse mesmo trecho da carta de caminha impresso para que seja feita a leitura em sala de aula.
ü  3º momento (30 min):Apresentaremos o vídeo da música “Índios” do grupo Legião Urbana.


    O objetivo deste vídeo é fazer o aluno refletir sobre a letra da música para depois interagir sobre a mesma.
ü  4º momento (1h30 min): O grupo solicitará aos alunos que façam uma pesquisa de imagens de indígenas na concepção de cada um, após isso faremos perguntas aos alunos com o intuito de fazê-los refletir sobre a imagem do indígena pesquisado e a imagem do indígena atual. Após esse momento explicaremos aos alunos sobre atividade avaliativa  que será realizada ao final da oficina. Ela consistirá na execução de um vídeo do próprio celular do aluno, em que eles entrevistarão três pessoas de idades, culturas e maneiras de pensar distintas. As perguntas consistirão na opinião sobre a imagem do indígena na concepção das mesmas.
    Após terminarem o vídeo com as entrevistas, os alunos farão uma edição deste mesmo vídeo, destacando o conteúdo principal das respostas, onde eles deixarão claro a sua opinião à cerca do vídeo. O tempo da entrevista será de um minuto.


2ª Aula:
ü  1º momento (2horas): Apresentar os recursos tecnológicos utilizados pelos índios em páginas de Facebook, estimulando com que os próprios alunos possam pesquisar em seus celulares (os que possuam no momento) ou façam equipes de 5 (cinco) alunos para visitarem as páginas sugeridas: “Jhon Apurinã”  e “Emerson Pataxó“
ü  2º momento (30 min): Os alunos, após realizarem a pesquisa, participarão de uma espécie de “roda de conversa”, afim de que eles possam discutir sobre o que foi possível observar nas páginas visitadas.
ü  3º momento (1h 30 min):Depois de alcançada a intenção do grupo com os alunos, será discutida a percepção sobre a utilização da rede e será reforçada com a exposição do vídeo, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uuzTSTmIaUc#action=share

3ª Aula:

        ü  1º momento (1h30min): Inicialmente, o assunto abordado em sala será sobre as diversas culturas que absorvemos durante o decorrer da vida, dentre as quais destacaremos o fastfood, as músicas, as roupas, os aspectos linguísticos (apropriação de dialetos de outros países), com a apresentação de imagens no slide.
     ü  2º momento (30 min):Perguntaremos aos alunos se deixamos de ser brasileiros após o consumo da cultura de outros países e ainda, se com os índios ocorre o mesmo.
     ü  3º momento (30 min): Apresentaremos e slide, imagens de índios representados por atores em novelas. Entre essas imagens destacaremos o índio Tatuapu, Moema e Paraguaçu e Serena.
     ü  4º momento (50min): Discutiremos a respeito dessas imagens, com o intuito de compreender se elas fazem jus à imagem do índio ou se são deturpadas.


4ª Aula:
ü  1º momento (30min): Será abordado o assunto sobre o preconceito que o índio recebe, por fazer uso de tecnologias. Após, exibiremos o vídeo em que um índio dá o seu depoimento sobre a postura do homem branco quando este vê o índio atender o seu celular.

ü  2º momento (30 min):Apresentaremos outro vídeo, com imagens de índios na atualidade e áudio sobre o preconceito sofrido pelos índios, na língua indígena, cujo link:
                                          
ü  3º momento (1h 30 min): Com perguntas dirigidas aos alunos, faremos uma reflexão sobre o assunto abordado. Bem como apresentaremos a imagem de um texto no slide e ainda distribuiremos o texto para que os alunos possam acompanhar a aula e para uma consulta futura. 

ü  4º momento (1h 30 min): Será exibido o vídeo da indígena Indianara, onde esta faz um vídeo com entrevista a um rapaz a respeito da importância do uso do celular e em seguida, ela própria dá o seu depoimento a respeito do assunto. 
     Finalmente, retomaremos a explicação fornecida no primeiro dia de aula, a respeito da avaliação final.  Explicaremos que o vídeo da indígena Indianara, servirá como base para que os alunos possam produzir o seu próprio vídeo.

5ª Aula:
ü  1º momento (1h 30 min): Cada aluno apresentará o seu próprio vídeo.
ü  2º momento: (50 min): Para socialização dos vídeos