domingo, 4 de junho de 2017

A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA MÍDIA TELEVISIVA

Universidade Federal do Pará
Faculdade de Letras
Disciplina: Recursos Tecnológicos
Docente: Ivânia Neves
Andriele Pereira (UFPA)
Úrssula Cardoso (UFPA)
                Os negros fazem parte da teledramaturgia brasileira desde o início, mas sua imagem sempre foi estereotipada. Poucas vezes, e somente de uns anos para cá que o negro interpreta o papel de um rico empresário, de um grã-fino, de herói. Não é preciso uma longa análise hermenêutica para constatar que nos principais meios de comunicação de massa os negros ainda continuam sendo associados a antigos estereótipos como a “mulata sensual”, o “bandido” ou o “negro malandro”; e a profissões consideradas socialmente inferiores, como empregadas domésticas e jardineiros. No fundo, passa uma imagem de desleixo, falta de responsabilidade ou mesmo de marginal, o que é altamente negativo para fixação do seu caráter, sem citar ainda as campanhas publicitárias, onde raros os rostos de pele escura.
   Mas a TV é apenas o espelho do preconceito. A ausência do negro na TV ou sua imagem subalterna, quando aparece, são consequências de um preconceito racial gerado pela exclusão social das populações negras do país, as mais marginalizadas e que apresentam os indicadores sociais mais desfavoráveis - apesar de o Brasil ser um país miscigenado, com predominância negramesmo na sociedade brasileira atual, negros e índios "continuam vivendo as mesmas compulsões desagregadoras de uma autoimagem depreciativa, gerada por uma identidade racial negativa e reforçada pela indústria cultural brasileira, a qual insiste simbolicamente no ideal de branqueamento" (ARAÚJO, 2000).
   Entre 1880 e 1990 houve algumas mudanças nesse pensamento, ainda que tímidas. A telenovela Corpo a Corpo, onde aparece uma personagem vítima de preconceito racial, Sonia, vivida pela atriz Zezé Motta. Essas duas décadas são consideradas como um período de ascensão do negro na telenovela brasileira. No entanto, teria permanecido a construção de uma identidade de "branquitude" na sociedade brasileira, onde as imagens dominantes reforçam o elogio dos traços brancos como o ideal de beleza dos brasileiros. A nossa diversidade racial e cultural transforma-se, nas telenovelas, no paradoxo de um Brasil branco.
   O nefasto estereótipo da mulher de cor associado à libido, por exemplo, encontrou nos meios de comunicação de massa um terreno fértil para a sua propagação. Nas principais telenovelas da Rede Globo, geralmente as atrizes negras interpretam a mulher de vida fácil, a “gostosona” ou a amante. Em 2004, a primeira trama protagonizada por uma atriz negra (Tais Araújo) trazia o tendencioso título de “A Cor do Pecado”. Não obstante, o polêmico seriado “Sexo e as Nêga”, que estreou recentemente, ao exibir várias cenas de mulheres negras em situações libidinosas, só confirmam a tese de que, em pleno século 21, a grande mídia brasileira ainda continua sendo norteada por um sexismo racista herdado do período escravocrata.
   Além da estigmatização em telenovelas, os negros também são ridicularizados nos programas de humor, tratados de maneira humilhante nos programas policiais e encontram em publicações da imprensa conservadora, um importante obstáculo para as suas principais causas e reivindicações. Em suma, mais de trezentos anos após a sua morte, a luta de Zumbi dos Palmares pela verdadeira libertação do negro continua atual.
   Existe uma ação deliberada para além de sub-representar, colocar os negros e negros em patamar de desigualdade, de inferioridade. E isso é prejudicial para quem assiste. Para o jovem negro ou para a criança que está em período de formação da sua identidade isso é extremamente nocivo, pois exerce forte influência na forma de viver e de se relacionar com o mundo. Precisamos de mais negros jornalistas, repórteres, atores, atrizes, políticos, apresentadores ocupando o seu merecido espaço na mídia brasileira.
   Chegou o momento de exercemos o nosso direito à comunicação e para isso necessitamos de veículos de comunicação feitos por negros, por afros descendentes, que exista uma mídia negra efetivamente no Brasil. Esta mídia vai ter nosso ponto de vista sobre temas atuais do nosso cotidiano. Somente com a democratização da comunicação poderemos apresentar os fatos com veracidade, e libertar o Brasil da ignorância.
     O filme a seguir faz referência a esta discussão: A negação do Brasil


REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Joel Zito. A negação do Brasil. Editora Senac, 2000. https://www.youtube.com/watch?v=gVnxFvMaLSw  
JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009.

 Planejamento da Oficina
Público – alvo: alunos do 3º ano do ensino médio
Duração: 20h.

JUSTIFICATIVA
     O presente plano de ensino surgiu como pré-requisito para aprovação na disciplina Recursos Tecnológicos, ministrada pela professora Ivânia Neves na Universidade Federal do Pará para os alunos do 7º semestre do Curso de Letras com habilitação em Língua Portuguesa. Este projeto visa mostrar como o negro é apresentado nas mídias, sobretudo a televisiva, a qual a maioria dos alunos tem acesso. Tal projeto assume grande importância para compreensão da inserção do negro na mídia televisiva, “se o público não tiver ideia das discussões que estão ocorrendo, terá pouco ou nada a dizer a respeito de discussões que estão ocorrendo, terá pouco ou nada a dizer a respeito de decisões que mudarão drasticamente sua relação com os meios de comunicação” (JENKINS, 2009)
       Com o título “A representação do negro na mídia televisiva” pretendemos ilustrar como o negro é configurado no espaço da TV, e a partir disso, explorar o que Jenkins afirma: “a convergência envolve uma transformação tanto na forma de produzir quanto na forma de consumir os meios de comunicação”, dessa maneira, construiremos uma visão mais crítica do verdadeiro lugar do negro na mídia televisiva.
OBJETIVOS
GERAL
Mostrar como o negro é apresentado diante dos recursos midiáticos.
 ESPECÍFICOS
ü  Identificar como o negro é apresentado em diferentes épocas na mídia televisiva;
ü  Estabelecer a relação entre o negro e a sua caracterização no espaço midiático;
ü  Relatar quais tipos de ações preconceituosas aparece na televisão;
ü  Desmistificar a imagem produzida pelas redes televisivas relacionadas ao negro;
ü  Desenvolver um posicionamento crítico sobre o lugar do negro na sociedade.

METODOLOGIA
            A oficina se dará no período de 20h, que será dividido em cinco aulas, ou seja, quatro horas por aula. As aulas serão na forma de discussão do tema com produções transmidiáticas e avaliação de forma contínua.

Aula 1
1°momento
            No início da aula, será apresentado o tema da oficina e realizado um breve diálogo acerca do que os discentes sabem e o que observam na televisão sobre a presença do negro em diversas programações.
2° momento
            Vamos exibir um trecho em vídeo de uma cena da novela “Escrava Isaura” escrita por Bernardo Guimarães, e contextualizar a história da realidade do negro naquela época e criar uma roda de conversa com alunos sobre o que conhecem da história dos negros na época da escravidão.
3° momento
Mostraremos algumas imagens que retratem o negro na televisão nos dias atuais e fazer uma roda de perguntas referentes às diferenças observadas do papel no negro nas novelas de época e nas de hoje.

Aula 2
Negros na publicidade
1° momento
A aula terá seu início com uma indagação sobre o que os alunos já observaram como o negro aparece em propagandas.
2°momento
            Serão mostradas imagens para que os alunos possam atentar para o negro em propagandas televisivas.
3° momento
            Como atividade, será proposto que os alunos produzam propagandas em cartazes que possam colocar um negro em espaços que normalmente só podemos notar a presença do branco.

Aula 3
1º momento
            Os alunos deverão procurar na internet, quais as situações de preconceitos divulgadas nos telejornais que mais repercutiram recentemente.
2º momento
            Com base nesses vídeos apresentados, os alunos deverão produzir um vídeo de cunho jornalístico, relatando algum caso referente ao racismo na sua realidade.

Aula 4
Negros e a visão sensualizada
1° momento
            Será apresentado o vídeo de abertura da novela Da cor do pecado, disponível em: https://globoplay.globo.com/v/2168372/ e um vídeo da série da Rede Globo Sexo e as Negas disponível em http://gshow.globo.com/programas/sexo-e-as-negas/videos/t/episodios/v/cozinheira-em-casa-de-familia-soraia-e-surpreendida-por-patrao/3634403/, por fim, será mostrada uma imagem da maneira como a mulher negra é vista.
2° momento
            Como modo de reflexão, será proposto uma discussão do verdadeiro lugar da mulher negra na mídia televisiva.
3° momento
            Como meio de facilitar o andamento da próxima aula, proporemos a criação de um grupo no Facebook direcionado a oficina.

Aula 5
Reflexão sobre o preconceito
1° momento
            Será apresentado o vídeo “Alunos da UNB usam cartazes na internet para denunciar o racismo”:

2° momento
            Como demonstrado no vídeo, os alunos deverão se fotografar de forma que possam passar a imagem tanto de denúncia contra o racismo, quanto de uma maneira que chame a atenção para a superação da visão preconceituosa na qual os negros são vistos.
3° momento
            Para finalizar a oficina, os alunos poderão compartilhar essas fotografias no grupo criado no Facebook.

AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada em diversos momentos: círculo de conversa, debate, elaboração de cartazes publicitários, criação de um grupo no Facebook e postagens nesse grupo.

RECURSOS MATERIAIS (TECNOLÓGICOS)
·         Computador;
·         Data-show;
·         Caixa de som;
·         Câmera


terça-feira, 2 de maio de 2017

A APROPRIAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS PELOS POVOS INDÍGENAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO
FACULDADE DE LETRAS
RECURSOS TECNOLOGICOS
PROFESSORA DRª IVÂNIA NEVES

ALUNAS: DÉBORA SOUZA, JANAINA SOUZA E LANNA DALMACIO



          As redes sociais online possibilitaram que lideranças indígenas mostrassem aspectos de sua cultura, assim como suas reivindicações em diversas oportunidades, proporcionando que esses sujeitos pudessem ser, de fato, protagonistas de sua própria história, construída com os seus pontos de vista e visões de mundo, compartilhados conosco.  Na era digital, a demanda faz e produz aquilo que deseja em um processo veloz de circulação de conteúdos e informações de variados tipos, ao que damos o nome, segundo Jenkins (2009) de cultura participativa por meio das mídias sociais.
       A internet, esse novo meio de sociabilidade, quebra os paradigmas sociais, mediada por perfis de facebook de indígenas, colaborando com a construção de uma realidade social complexa e multifacetada dos povos indígenas que passam por uma grande ressignificação do que é a Identidade indígena.
        Neste contexto, apresentaremos o modo como os indígenas propagam seus pontos de vista diante do mundo. Considerando que as Redes sociais vêm se expandido, e é onde os povos indígenas já reivindicam seus espaços diante da sociedade. 

JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em:http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/. Acessado em: 04 de fev. de 2017, 15h23min.




PLANO DE AULA

Publico Alvo:Alunos do 9º Ano / Ensino Fundamental.
Carga Horária: 20 h, divididas em 5aulas de 4 horas

Objetivo geral
ü  Contribuir para que os alunos desenvolvam o senso crítico acerca da cultura indígena e sua importância para a formação histórico-cultural brasileira, considerando suas apropriações das mídias sociais na internet.
Objetivos específicos
ü  Apontar como foi cunhada a imagem do índio no processo de colonização.
ü  Discutir sobre a apropriação de tecnologias por etnias indígenas.
ü  Formular um debate sobre o preconceito recorrente da apropriação das mídias sociais pelas etnias indígenas.
ü  Desconstruir a visão conservadora que se tem sobre essa apropriação pelas etnias indígenas.

Recursos Didáticos
Computadores, celulares, caixa de som, data show e recursos audiovisuais.

JUSTIFICATIVA
            A justificativa que sustenta este plano de ensino está pautada na presença indígena na Internet e a utilização das ferramentas da web colaborando para o fortalecimento das práticas midiáticas, possibilitando e potencializando uma maior representação e mobilização social dos povos.
Os usos da internet pelos indígenas é um tema que vem provocando uma mudança na maneira de enxergá-los, pois eles estão deixando de ser uma produção de terceiros, exteriores aos povos que tecem pesquisas, textos e interpretam sobre os originários. Mas, a disposição em rede de fluxo de informações horizontalizadas permite que os próprios indígenas passem de meros objetos à autores dos seus próprios relatos, uma vez que são os próprios indígenas que produzem suas narrativas de caráter autoetnográfico, transmitindo através do discurso, a imagem que fazem de si e sobre as questões que desejam ver publicadas na relação deles com a sociedade nacional em geral.

METODOLOGIA
A metodologia proposta está dividida em uma carga horária de 20h. Utilizaremos como ferramentas principais as redes sociais e tipologias/gêneros textuais diversos, com o intuito de oferecer ao aluno um panorama do modo como o indígena se apropria das mídias sociais sem perder sua identidade.

1ªAula:
ü  1º momento (1h30min): Haverá uma discussão sobre o tema. Começando por apresentar um parágrafo da Carta de Caminha em slide, para que os alunos vejam, leiam e percebam como nos foi dado a entender a imagem do índio no Brasil no período da colonização.
ü  2º momento (30 min):Será distribuído entre os alunos, esse mesmo trecho da carta de caminha impresso para que seja feita a leitura em sala de aula.
ü  3º momento (30 min):Apresentaremos o vídeo da música “Índios” do grupo Legião Urbana.


    O objetivo deste vídeo é fazer o aluno refletir sobre a letra da música para depois interagir sobre a mesma.
ü  4º momento (1h30 min): O grupo solicitará aos alunos que façam uma pesquisa de imagens de indígenas na concepção de cada um, após isso faremos perguntas aos alunos com o intuito de fazê-los refletir sobre a imagem do indígena pesquisado e a imagem do indígena atual. Após esse momento explicaremos aos alunos sobre atividade avaliativa  que será realizada ao final da oficina. Ela consistirá na execução de um vídeo do próprio celular do aluno, em que eles entrevistarão três pessoas de idades, culturas e maneiras de pensar distintas. As perguntas consistirão na opinião sobre a imagem do indígena na concepção das mesmas.
    Após terminarem o vídeo com as entrevistas, os alunos farão uma edição deste mesmo vídeo, destacando o conteúdo principal das respostas, onde eles deixarão claro a sua opinião à cerca do vídeo. O tempo da entrevista será de um minuto.


2ª Aula:
ü  1º momento (2horas): Apresentar os recursos tecnológicos utilizados pelos índios em páginas de Facebook, estimulando com que os próprios alunos possam pesquisar em seus celulares (os que possuam no momento) ou façam equipes de 5 (cinco) alunos para visitarem as páginas sugeridas: “Jhon Apurinã”  e “Emerson Pataxó“
ü  2º momento (30 min): Os alunos, após realizarem a pesquisa, participarão de uma espécie de “roda de conversa”, afim de que eles possam discutir sobre o que foi possível observar nas páginas visitadas.
ü  3º momento (1h 30 min):Depois de alcançada a intenção do grupo com os alunos, será discutida a percepção sobre a utilização da rede e será reforçada com a exposição do vídeo, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uuzTSTmIaUc#action=share

3ª Aula:

        ü  1º momento (1h30min): Inicialmente, o assunto abordado em sala será sobre as diversas culturas que absorvemos durante o decorrer da vida, dentre as quais destacaremos o fastfood, as músicas, as roupas, os aspectos linguísticos (apropriação de dialetos de outros países), com a apresentação de imagens no slide.
     ü  2º momento (30 min):Perguntaremos aos alunos se deixamos de ser brasileiros após o consumo da cultura de outros países e ainda, se com os índios ocorre o mesmo.
     ü  3º momento (30 min): Apresentaremos e slide, imagens de índios representados por atores em novelas. Entre essas imagens destacaremos o índio Tatuapu, Moema e Paraguaçu e Serena.
     ü  4º momento (50min): Discutiremos a respeito dessas imagens, com o intuito de compreender se elas fazem jus à imagem do índio ou se são deturpadas.


4ª Aula:
ü  1º momento (30min): Será abordado o assunto sobre o preconceito que o índio recebe, por fazer uso de tecnologias. Após, exibiremos o vídeo em que um índio dá o seu depoimento sobre a postura do homem branco quando este vê o índio atender o seu celular.

ü  2º momento (30 min):Apresentaremos outro vídeo, com imagens de índios na atualidade e áudio sobre o preconceito sofrido pelos índios, na língua indígena, cujo link:
                                          
ü  3º momento (1h 30 min): Com perguntas dirigidas aos alunos, faremos uma reflexão sobre o assunto abordado. Bem como apresentaremos a imagem de um texto no slide e ainda distribuiremos o texto para que os alunos possam acompanhar a aula e para uma consulta futura. 

ü  4º momento (1h 30 min): Será exibido o vídeo da indígena Indianara, onde esta faz um vídeo com entrevista a um rapaz a respeito da importância do uso do celular e em seguida, ela própria dá o seu depoimento a respeito do assunto. 
     Finalmente, retomaremos a explicação fornecida no primeiro dia de aula, a respeito da avaliação final.  Explicaremos que o vídeo da indígena Indianara, servirá como base para que os alunos possam produzir o seu próprio vídeo.

5ª Aula:
ü  1º momento (1h 30 min): Cada aluno apresentará o seu próprio vídeo.
ü  2º momento: (50 min): Para socialização dos vídeos


segunda-feira, 17 de abril de 2017

A IDENTIDADE DOS POVOS INDÍGENA NAS MÍDIAS ATUAIS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO-ILC
FACULDADE DE LETRAS – FALE
DOCENTE
Ivânia Neves
DISCENTE
Carline Ramos,  Leticia Juliana e  Wanessa Coelho

      Os primeiros habitantes do território brasileiro foram chamados de  “índios”. Os “índios” eram formados por povos diferentes com hábitos, costumes e línguas diferentes. No entanto, o europeu durante a colonização do Brasil designou os povos que aqui viviam, genericamente de “índios”, por supostamente acreditarem ter chegado às Índias, ignorando as diversas culturas, tribos e povos indígenas existentes no Brasil. Não existe o “índio”, pois, não existe um único grupo indígena, tampouco uma única cultura. São inúmeros povos, formas de se relacionar, línguas e culturas.
Disponível em:
https:auladefilosofia.net20131012jean-baudrillard-y-enrique-valiente-noailles-los-exiliados-del-dialogo-2006

A imensa “nação Tupi Guarani” adquiriu matizes étnicos variados conforme a região e a época de sua migração e expansão e com o tempo receberia nomes atribuídos a uma diversidade étnica como: Marajó, Tupinambá, Tupiniquim, Caeté, Guarani, Guaianá, Charrua, Chiripá, etc. Ao longo dos séculos, houve várias etapas de apogeu, de transformação e de degeneração cultural. Um dos ciclos de degeneração mais recentes é o século XVI, pois, na época da conquista da América do Sul, os índios foram escravizados, principalmente pelos portugueses, que partindo para São Paulo, intensificaram os chamados “apresamentos”. Os “apresamentos” ocorreram por mar, por terra, por morte e por guerras. A degeneração social dos Guarani deve-se à escravidão e às guerras que se sucederam nos primeiros trezentos anos de conquista. A imposição de uma religiosidade em detrimento da religiosidade nativa também afetou profundamente o ritmo cultural Guarani. Após esse período, quando os escravos Guarani foram trocados pelos negros da África, surgiu um intenso desequilíbrio ecológico, que continuou causando a esse povo consequências desastrosas do ponto de vista social e interferindo negativamente em sua cultura.
Disponível em: httpm.folha.uol.com.bresporte2015101699559-indios-usam-smartphones-e-redes-sociais-para-se-comunicarem-nos-jogos.shtmlmobile

PLANEJAMENTOS DE AULA

OBJETIVO GERAL:
·    - Discutir a representatividade indígena na literatura, na música e em trechos de novelas, documentários e minisséries veiculados pelo YOUTUBE.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
·         - Reconhecer a importância de se respeitar e preservar a singularidade cultural do povo indígena;
·             - Identificar os discursos midiáticos que reforçam a ideologia dominante, criam e fortalecem estereótipos sobre o indígena na televisão brasileira;
·         Analisar as letras das músicas “Cara de índio”, de Djavan, e “Todo dia era dia de índio”, de Jorge Bem Jor, para debater sobre os direitos dos povos indígenas no Brasil;
·         Analisar as diferentes visões sobre o índio no panorama literário brasileiro.
·         Observar a diferença do discurso presente nas produções realizadas pelos próprios indígenas em contraponto com o discurso estereotipado da ideologia dominante.
JUSTIFICATIVA
O presente projeto se constituiu a partir da necessidade de se considerar que a herança cultural indígena é tão vasta, tão rica e tão presente, que muitas vezes não a percebemos no nosso dia a dia, e é também dever da escola dar visibilidade a essas contribuições. É necessário ainda, que possamos observar criticamente como essa matriz da cultura brasileira vem sendo representada nas obras literárias, nas novelas, nos vídeos veiculados pelas redes sociais, na música e de como, muitas vezes o discurso contido nessas representações são reducionistas e pejorativos, ou ainda, refletem muito mais o “outro” que o próprio “índio”.  É urgente reconhecer a importância, valor e contribuição dos povos indígenas para a formação do povo brasileiro. Nesse sentido, este projeto visa a discutir a forma como o “índio” vem sendo representado, o papel que vem ocupando na sociedade e os novos rumos que vem assumindo.
De acordo com Martín-Barbero, (2014, p.24), através da linguagem habitamos o mundo, nos fazemos presentes nele, o compartilhamos com outros homens. Por isso, na visão freireana (1987) “analfabeto” não é o homem que não sabe ler e escrever, mas sim o homem impedido de dizer sua palavra. É através da educação, portanto, que os homens têm esse direito devolvido, para serem testemunhas e atores de sua vida e de seu mundo. A educação passa pela consciência dos oprimidos da sua situação no processo da opressão. A alfabetização, neste sentido, é a devolução da palavra ao homem mudo/silenciado, sendo, inevitavelmente, transformadora dos campos político e social. Nesse sentido, muitas tribos passaram a se alfabetizar como forma de resistência, e hoje existem dentro das tribos militantes, escritores, professores etc. É importante que a escola descontrua o estereótipo do “índio” como ser primitivo, com a mudança do contexto, fez-se necessária a mudança dos hábitos.
Muitas nações indígenas foram aniquiladas ao longo do processo de colonização a que fomos (e somos) submetidos. É necessário que a escola promova atividades que possam esclarecer aos alunos as motivações, políticas, ideológicas e econômicas desses extermínios. Faz-se necessário que se atribua todo o valor merecido a esses povos que “somos nós mesmos”. Temos os desafios de reequilibrar a natureza, repensar a tecnologia, descobrir economias auto-sustentáveis e acima de tudo, redescobrir a “arte de viver em tribo”. Nestes tempos sombrios em que vivemos, observar as concepções de ser humano, natureza e universo indígenas e a forma como isto tudo está interligado, nos fazem refletir sobre nossas práticas, e sobre o quanto temos que aprender com esses ensinamentos.

AULA I – CARGA HORÁRIA: 4h
Iniciaremos a aula situando os alunos sobre o tema a ser abordado na oficina. Após isso, instigaremos os alunos a debaterem sobre a visão que eles têm dos povos indígenas. A partir disso, dividiremos a turma em grupos e mostraremos o vídeo Os indígenas - Raízes do Brasil que conta a história e os costumes dos primeiros habitantes do nosso país: os povos indígenas. 



Cada grupo terá até cinco minutos para dizer quais foram suas impressões sobre o vídeo a partir dos seguintes questionamentos: a chegada dos portugueses foi pacífica, foi uma coisa positiva para os povos indígenas? E hoje, como se encontram os povos indígenas, eles enfrentam algum tipo de problema na sociedade em que vivemos? Em seguida, vamos esclarecer sobre os conceitos de aculturação e etnogênese.    
No segundo momento da aula, iniciaremos uma nova discussão sobre como as mídias de comunicação têm representado os índios, especialmente na televisão brasileira, a partir do seguinte questionamento essa representação tem contribuído para uma valorização e reconhecimento dos povos indígenas? Após isso, mostraremos, em pequenos trechos, como o índio é representado na minissérie “Caramuru: a invenção do Brasil”. Abriremos um debate sobre a minissérie e aproveitaremos para apontar como o índio era representado nos textos literários e que essa representatividade foi mudando de acordo com as escolas literárias.

AULA II - CARGA HORÁRIA: 4h
Iniciaremos a aula dividindo os alunos, em grupos formados por no máximo três pessoas. Distribuiremos as letras das músicas “Cara de índio”, de Djavan, e “Todo dia era dia de índio”, de Jorge Bem Jor, e colocaremos para que eles as escutem. Em seguida, pediremos para que eles analisem as letras das músicas para debater sobre os direitos dos índios de serem reconhecidos como uma organização social que tem seus costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Além disso, os alunos compararão a representação do índio nas letras das músicas com a representação feita na minissérie Caramuru: a invenção do Brasil. Cada grupo terá que dizer sobre sua análise das músicas e as comparações feitas entre as músicas e a minissérie. Em seguida, os grupos terão que publicar um texto, com base nos conhecimentos adquiridos até o momento, nas redes sociais que fale sobre os direitos dos povos indígenas no Brasil. Os alunos poderão utilizar todo o conteúdo disponibilizado nas aulas para servir de apoio. Além disso, as publicações poderão vir acompanhadas de vídeos e imagens. 

AULAS III – CARGA HORARIA 4H

No terceiro dia de oficina apresentaremos aos alunos as diversas visões sobre o índio por meio da intertextualidade entre textos literários, são eles: “O guarani – José de Alencar” (trecho); “Macunaíma – Mario de Andrade” (trecho); letra da musica “vida de índio – Francisco de Assis”; e “Juruá e Anhangá – de Kaka Werá Jecupé” Logo após a apresentação e leitura do conteúdo os alunos formarão grupos e cada grupo fará uma discussão sobre os textos, ressaltando e enumerando (no caderno) as semelhanças e diferenças sobre as perspectivas textuais. Ao final desta etapa, eles farão um artigo de opinião em forma de escrita colaborativa, que será utilizado no ultimo dia de oficina como conteúdo base na sua produção final.

AULAS IV – CARGA HORARIA 4H

No quarto dia de oficina abordaremos a perspectiva do índio na mídia em programas de comédia:
O índio neoliberal

O documentário Índios Somos Nós

 Eles assistirão a vídeos que exemplifiquem o objetivo da aula. Posteriormente, pediremos que cada um produza um conto que possa representar o processo de aculturação do índio conforme representado nas mídias atuais.

AULA V – CARGA HORÁRIA: 4h
Aula destinada à produção de um vídeo que desconstrua a visão estereotipada do índio na sociedade, bem como fomentar a reflexão e a discussão sobre os problemas enfrentados pelos indígenas na atualidade, além disso, a criação de uma página no FACEBOOK, em que serão postadas as produções dos alunos durante a oficina.

RECURSOS METODOLOGICOS:

Projetor; Poemas impressos; Computador; Quadro branco; Caixa de som.

ATIVIDADE AVALIATIVA:

A avaliação será feita por meio da criação de uma página no facebook, que os alunos devem alimentar com as produções realizadas durante a oficina, como a produção e publicação de um texto falando sobre os direitos dos povos indígenas e a produção de um vídeo que desconstrua a visão estereotipada do índio na sociedade e discuta os problemas enfrentados pelos indígenas na atualidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. e.d. 18. São Paulo: Ed. Itatiaia, 1981. p 9.

ALENCAR, José de. O guarani. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2012. p 38-39.


JECUPÉ, Kaká Werá. As fabulosas fabulas de Iauaretê. São Paulo: Peiropólis, 2007. p 38.