terça-feira, 2 de maio de 2017

A APROPRIAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS PELOS POVOS INDÍGENAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO
FACULDADE DE LETRAS
RECURSOS TECNOLOGICOS
PROFESSORA DRª IVÂNIA NEVES

ALUNAS: DÉBORA SOUZA, JANAINA SOUZA E LANNA DALMACIO



          As redes sociais online possibilitaram que lideranças indígenas mostrassem aspectos de sua cultura, assim como suas reivindicações em diversas oportunidades, proporcionando que esses sujeitos pudessem ser, de fato, protagonistas de sua própria história, construída com os seus pontos de vista e visões de mundo, compartilhados conosco.  Na era digital, a demanda faz e produz aquilo que deseja em um processo veloz de circulação de conteúdos e informações de variados tipos, ao que damos o nome, segundo Jenkins (2009) de cultura participativa por meio das mídias sociais.
       A internet, esse novo meio de sociabilidade, quebra os paradigmas sociais, mediada por perfis de facebook de indígenas, colaborando com a construção de uma realidade social complexa e multifacetada dos povos indígenas que passam por uma grande ressignificação do que é a Identidade indígena.
        Neste contexto, apresentaremos o modo como os indígenas propagam seus pontos de vista diante do mundo. Considerando que as Redes sociais vêm se expandido, e é onde os povos indígenas já reivindicam seus espaços diante da sociedade. 

JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em:http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/. Acessado em: 04 de fev. de 2017, 15h23min.




PLANO DE AULA

Publico Alvo:Alunos do 9º Ano / Ensino Fundamental.
Carga Horária: 20 h, divididas em 5aulas de 4 horas

Objetivo geral
ü  Contribuir para que os alunos desenvolvam o senso crítico acerca da cultura indígena e sua importância para a formação histórico-cultural brasileira, considerando suas apropriações das mídias sociais na internet.
Objetivos específicos
ü  Apontar como foi cunhada a imagem do índio no processo de colonização.
ü  Discutir sobre a apropriação de tecnologias por etnias indígenas.
ü  Formular um debate sobre o preconceito recorrente da apropriação das mídias sociais pelas etnias indígenas.
ü  Desconstruir a visão conservadora que se tem sobre essa apropriação pelas etnias indígenas.

Recursos Didáticos
Computadores, celulares, caixa de som, data show e recursos audiovisuais.

JUSTIFICATIVA
            A justificativa que sustenta este plano de ensino está pautada na presença indígena na Internet e a utilização das ferramentas da web colaborando para o fortalecimento das práticas midiáticas, possibilitando e potencializando uma maior representação e mobilização social dos povos.
Os usos da internet pelos indígenas é um tema que vem provocando uma mudança na maneira de enxergá-los, pois eles estão deixando de ser uma produção de terceiros, exteriores aos povos que tecem pesquisas, textos e interpretam sobre os originários. Mas, a disposição em rede de fluxo de informações horizontalizadas permite que os próprios indígenas passem de meros objetos à autores dos seus próprios relatos, uma vez que são os próprios indígenas que produzem suas narrativas de caráter autoetnográfico, transmitindo através do discurso, a imagem que fazem de si e sobre as questões que desejam ver publicadas na relação deles com a sociedade nacional em geral.

METODOLOGIA
A metodologia proposta está dividida em uma carga horária de 20h. Utilizaremos como ferramentas principais as redes sociais e tipologias/gêneros textuais diversos, com o intuito de oferecer ao aluno um panorama do modo como o indígena se apropria das mídias sociais sem perder sua identidade.

1ªAula:
ü  1º momento (1h30min): Haverá uma discussão sobre o tema. Começando por apresentar um parágrafo da Carta de Caminha em slide, para que os alunos vejam, leiam e percebam como nos foi dado a entender a imagem do índio no Brasil no período da colonização.
ü  2º momento (30 min):Será distribuído entre os alunos, esse mesmo trecho da carta de caminha impresso para que seja feita a leitura em sala de aula.
ü  3º momento (30 min):Apresentaremos o vídeo da música “Índios” do grupo Legião Urbana.


    O objetivo deste vídeo é fazer o aluno refletir sobre a letra da música para depois interagir sobre a mesma.
ü  4º momento (1h30 min): O grupo solicitará aos alunos que façam uma pesquisa de imagens de indígenas na concepção de cada um, após isso faremos perguntas aos alunos com o intuito de fazê-los refletir sobre a imagem do indígena pesquisado e a imagem do indígena atual. Após esse momento explicaremos aos alunos sobre atividade avaliativa  que será realizada ao final da oficina. Ela consistirá na execução de um vídeo do próprio celular do aluno, em que eles entrevistarão três pessoas de idades, culturas e maneiras de pensar distintas. As perguntas consistirão na opinião sobre a imagem do indígena na concepção das mesmas.
    Após terminarem o vídeo com as entrevistas, os alunos farão uma edição deste mesmo vídeo, destacando o conteúdo principal das respostas, onde eles deixarão claro a sua opinião à cerca do vídeo. O tempo da entrevista será de um minuto.


2ª Aula:
ü  1º momento (2horas): Apresentar os recursos tecnológicos utilizados pelos índios em páginas de Facebook, estimulando com que os próprios alunos possam pesquisar em seus celulares (os que possuam no momento) ou façam equipes de 5 (cinco) alunos para visitarem as páginas sugeridas: “Jhon Apurinã”  e “Emerson Pataxó“
ü  2º momento (30 min): Os alunos, após realizarem a pesquisa, participarão de uma espécie de “roda de conversa”, afim de que eles possam discutir sobre o que foi possível observar nas páginas visitadas.
ü  3º momento (1h 30 min):Depois de alcançada a intenção do grupo com os alunos, será discutida a percepção sobre a utilização da rede e será reforçada com a exposição do vídeo, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uuzTSTmIaUc#action=share

3ª Aula:

        ü  1º momento (1h30min): Inicialmente, o assunto abordado em sala será sobre as diversas culturas que absorvemos durante o decorrer da vida, dentre as quais destacaremos o fastfood, as músicas, as roupas, os aspectos linguísticos (apropriação de dialetos de outros países), com a apresentação de imagens no slide.
     ü  2º momento (30 min):Perguntaremos aos alunos se deixamos de ser brasileiros após o consumo da cultura de outros países e ainda, se com os índios ocorre o mesmo.
     ü  3º momento (30 min): Apresentaremos e slide, imagens de índios representados por atores em novelas. Entre essas imagens destacaremos o índio Tatuapu, Moema e Paraguaçu e Serena.
     ü  4º momento (50min): Discutiremos a respeito dessas imagens, com o intuito de compreender se elas fazem jus à imagem do índio ou se são deturpadas.


4ª Aula:
ü  1º momento (30min): Será abordado o assunto sobre o preconceito que o índio recebe, por fazer uso de tecnologias. Após, exibiremos o vídeo em que um índio dá o seu depoimento sobre a postura do homem branco quando este vê o índio atender o seu celular.

ü  2º momento (30 min):Apresentaremos outro vídeo, com imagens de índios na atualidade e áudio sobre o preconceito sofrido pelos índios, na língua indígena, cujo link:
                                          
ü  3º momento (1h 30 min): Com perguntas dirigidas aos alunos, faremos uma reflexão sobre o assunto abordado. Bem como apresentaremos a imagem de um texto no slide e ainda distribuiremos o texto para que os alunos possam acompanhar a aula e para uma consulta futura. 

ü  4º momento (1h 30 min): Será exibido o vídeo da indígena Indianara, onde esta faz um vídeo com entrevista a um rapaz a respeito da importância do uso do celular e em seguida, ela própria dá o seu depoimento a respeito do assunto. 
     Finalmente, retomaremos a explicação fornecida no primeiro dia de aula, a respeito da avaliação final.  Explicaremos que o vídeo da indígena Indianara, servirá como base para que os alunos possam produzir o seu próprio vídeo.

5ª Aula:
ü  1º momento (1h 30 min): Cada aluno apresentará o seu próprio vídeo.
ü  2º momento: (50 min): Para socialização dos vídeos


segunda-feira, 17 de abril de 2017

A IDENTIDADE DOS POVOS INDÍGENA NAS MÍDIAS ATUAIS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO-ILC
FACULDADE DE LETRAS – FALE
DOCENTE
Ivânia Neves
DISCENTE
Carline Ramos,  Leticia Juliana e  Wanessa Coelho

      Os primeiros habitantes do território brasileiro foram chamados de  “índios”. Os “índios” eram formados por povos diferentes com hábitos, costumes e línguas diferentes. No entanto, o europeu durante a colonização do Brasil designou os povos que aqui viviam, genericamente de “índios”, por supostamente acreditarem ter chegado às Índias, ignorando as diversas culturas, tribos e povos indígenas existentes no Brasil. Não existe o “índio”, pois, não existe um único grupo indígena, tampouco uma única cultura. São inúmeros povos, formas de se relacionar, línguas e culturas.
Disponível em:
https:auladefilosofia.net20131012jean-baudrillard-y-enrique-valiente-noailles-los-exiliados-del-dialogo-2006

A imensa “nação Tupi Guarani” adquiriu matizes étnicos variados conforme a região e a época de sua migração e expansão e com o tempo receberia nomes atribuídos a uma diversidade étnica como: Marajó, Tupinambá, Tupiniquim, Caeté, Guarani, Guaianá, Charrua, Chiripá, etc. Ao longo dos séculos, houve várias etapas de apogeu, de transformação e de degeneração cultural. Um dos ciclos de degeneração mais recentes é o século XVI, pois, na época da conquista da América do Sul, os índios foram escravizados, principalmente pelos portugueses, que partindo para São Paulo, intensificaram os chamados “apresamentos”. Os “apresamentos” ocorreram por mar, por terra, por morte e por guerras. A degeneração social dos Guarani deve-se à escravidão e às guerras que se sucederam nos primeiros trezentos anos de conquista. A imposição de uma religiosidade em detrimento da religiosidade nativa também afetou profundamente o ritmo cultural Guarani. Após esse período, quando os escravos Guarani foram trocados pelos negros da África, surgiu um intenso desequilíbrio ecológico, que continuou causando a esse povo consequências desastrosas do ponto de vista social e interferindo negativamente em sua cultura.
Disponível em: httpm.folha.uol.com.bresporte2015101699559-indios-usam-smartphones-e-redes-sociais-para-se-comunicarem-nos-jogos.shtmlmobile

PLANEJAMENTOS DE AULA

OBJETIVO GERAL:
·    - Discutir a representatividade indígena na literatura, na música e em trechos de novelas, documentários e minisséries veiculados pelo YOUTUBE.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
·         - Reconhecer a importância de se respeitar e preservar a singularidade cultural do povo indígena;
·             - Identificar os discursos midiáticos que reforçam a ideologia dominante, criam e fortalecem estereótipos sobre o indígena na televisão brasileira;
·         Analisar as letras das músicas “Cara de índio”, de Djavan, e “Todo dia era dia de índio”, de Jorge Bem Jor, para debater sobre os direitos dos povos indígenas no Brasil;
·         Analisar as diferentes visões sobre o índio no panorama literário brasileiro.
·         Observar a diferença do discurso presente nas produções realizadas pelos próprios indígenas em contraponto com o discurso estereotipado da ideologia dominante.
JUSTIFICATIVA
O presente projeto se constituiu a partir da necessidade de se considerar que a herança cultural indígena é tão vasta, tão rica e tão presente, que muitas vezes não a percebemos no nosso dia a dia, e é também dever da escola dar visibilidade a essas contribuições. É necessário ainda, que possamos observar criticamente como essa matriz da cultura brasileira vem sendo representada nas obras literárias, nas novelas, nos vídeos veiculados pelas redes sociais, na música e de como, muitas vezes o discurso contido nessas representações são reducionistas e pejorativos, ou ainda, refletem muito mais o “outro” que o próprio “índio”.  É urgente reconhecer a importância, valor e contribuição dos povos indígenas para a formação do povo brasileiro. Nesse sentido, este projeto visa a discutir a forma como o “índio” vem sendo representado, o papel que vem ocupando na sociedade e os novos rumos que vem assumindo.
De acordo com Martín-Barbero, (2014, p.24), através da linguagem habitamos o mundo, nos fazemos presentes nele, o compartilhamos com outros homens. Por isso, na visão freireana (1987) “analfabeto” não é o homem que não sabe ler e escrever, mas sim o homem impedido de dizer sua palavra. É através da educação, portanto, que os homens têm esse direito devolvido, para serem testemunhas e atores de sua vida e de seu mundo. A educação passa pela consciência dos oprimidos da sua situação no processo da opressão. A alfabetização, neste sentido, é a devolução da palavra ao homem mudo/silenciado, sendo, inevitavelmente, transformadora dos campos político e social. Nesse sentido, muitas tribos passaram a se alfabetizar como forma de resistência, e hoje existem dentro das tribos militantes, escritores, professores etc. É importante que a escola descontrua o estereótipo do “índio” como ser primitivo, com a mudança do contexto, fez-se necessária a mudança dos hábitos.
Muitas nações indígenas foram aniquiladas ao longo do processo de colonização a que fomos (e somos) submetidos. É necessário que a escola promova atividades que possam esclarecer aos alunos as motivações, políticas, ideológicas e econômicas desses extermínios. Faz-se necessário que se atribua todo o valor merecido a esses povos que “somos nós mesmos”. Temos os desafios de reequilibrar a natureza, repensar a tecnologia, descobrir economias auto-sustentáveis e acima de tudo, redescobrir a “arte de viver em tribo”. Nestes tempos sombrios em que vivemos, observar as concepções de ser humano, natureza e universo indígenas e a forma como isto tudo está interligado, nos fazem refletir sobre nossas práticas, e sobre o quanto temos que aprender com esses ensinamentos.

AULA I – CARGA HORÁRIA: 4h
Iniciaremos a aula situando os alunos sobre o tema a ser abordado na oficina. Após isso, instigaremos os alunos a debaterem sobre a visão que eles têm dos povos indígenas. A partir disso, dividiremos a turma em grupos e mostraremos o vídeo Os indígenas - Raízes do Brasil que conta a história e os costumes dos primeiros habitantes do nosso país: os povos indígenas. 



Cada grupo terá até cinco minutos para dizer quais foram suas impressões sobre o vídeo a partir dos seguintes questionamentos: a chegada dos portugueses foi pacífica, foi uma coisa positiva para os povos indígenas? E hoje, como se encontram os povos indígenas, eles enfrentam algum tipo de problema na sociedade em que vivemos? Em seguida, vamos esclarecer sobre os conceitos de aculturação e etnogênese.    
No segundo momento da aula, iniciaremos uma nova discussão sobre como as mídias de comunicação têm representado os índios, especialmente na televisão brasileira, a partir do seguinte questionamento essa representação tem contribuído para uma valorização e reconhecimento dos povos indígenas? Após isso, mostraremos, em pequenos trechos, como o índio é representado na minissérie “Caramuru: a invenção do Brasil”. Abriremos um debate sobre a minissérie e aproveitaremos para apontar como o índio era representado nos textos literários e que essa representatividade foi mudando de acordo com as escolas literárias.

AULA II - CARGA HORÁRIA: 4h
Iniciaremos a aula dividindo os alunos, em grupos formados por no máximo três pessoas. Distribuiremos as letras das músicas “Cara de índio”, de Djavan, e “Todo dia era dia de índio”, de Jorge Bem Jor, e colocaremos para que eles as escutem. Em seguida, pediremos para que eles analisem as letras das músicas para debater sobre os direitos dos índios de serem reconhecidos como uma organização social que tem seus costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Além disso, os alunos compararão a representação do índio nas letras das músicas com a representação feita na minissérie Caramuru: a invenção do Brasil. Cada grupo terá que dizer sobre sua análise das músicas e as comparações feitas entre as músicas e a minissérie. Em seguida, os grupos terão que publicar um texto, com base nos conhecimentos adquiridos até o momento, nas redes sociais que fale sobre os direitos dos povos indígenas no Brasil. Os alunos poderão utilizar todo o conteúdo disponibilizado nas aulas para servir de apoio. Além disso, as publicações poderão vir acompanhadas de vídeos e imagens. 

AULAS III – CARGA HORARIA 4H

No terceiro dia de oficina apresentaremos aos alunos as diversas visões sobre o índio por meio da intertextualidade entre textos literários, são eles: “O guarani – José de Alencar” (trecho); “Macunaíma – Mario de Andrade” (trecho); letra da musica “vida de índio – Francisco de Assis”; e “Juruá e Anhangá – de Kaka Werá Jecupé” Logo após a apresentação e leitura do conteúdo os alunos formarão grupos e cada grupo fará uma discussão sobre os textos, ressaltando e enumerando (no caderno) as semelhanças e diferenças sobre as perspectivas textuais. Ao final desta etapa, eles farão um artigo de opinião em forma de escrita colaborativa, que será utilizado no ultimo dia de oficina como conteúdo base na sua produção final.

AULAS IV – CARGA HORARIA 4H

No quarto dia de oficina abordaremos a perspectiva do índio na mídia em programas de comédia:
O índio neoliberal

O documentário Índios Somos Nós

 Eles assistirão a vídeos que exemplifiquem o objetivo da aula. Posteriormente, pediremos que cada um produza um conto que possa representar o processo de aculturação do índio conforme representado nas mídias atuais.

AULA V – CARGA HORÁRIA: 4h
Aula destinada à produção de um vídeo que desconstrua a visão estereotipada do índio na sociedade, bem como fomentar a reflexão e a discussão sobre os problemas enfrentados pelos indígenas na atualidade, além disso, a criação de uma página no FACEBOOK, em que serão postadas as produções dos alunos durante a oficina.

RECURSOS METODOLOGICOS:

Projetor; Poemas impressos; Computador; Quadro branco; Caixa de som.

ATIVIDADE AVALIATIVA:

A avaliação será feita por meio da criação de uma página no facebook, que os alunos devem alimentar com as produções realizadas durante a oficina, como a produção e publicação de um texto falando sobre os direitos dos povos indígenas e a produção de um vídeo que desconstrua a visão estereotipada do índio na sociedade e discuta os problemas enfrentados pelos indígenas na atualidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. e.d. 18. São Paulo: Ed. Itatiaia, 1981. p 9.

ALENCAR, José de. O guarani. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2012. p 38-39.


JECUPÉ, Kaká Werá. As fabulosas fabulas de Iauaretê. São Paulo: Peiropólis, 2007. p 38.




terça-feira, 4 de abril de 2017

Da conscientização ao empoderamento negro nas mídias sociais

Universidade Federal do Pará
Faculdade de Letras
Disciplina: Recursos Tecnológicos no Ensino de Português
Docente: Ivânia Neves
Discentes: Fernanda Ribeiro Vasconcelos
Raissa Maciel Javan da Silva


     O Brasil é conhecido mundialmente por sua miscigenação etnocultural. Apesar disso, em função da nossa herança colonizadora, o etnocentrismo ainda persiste na sociedade brasileira, alimentando o preconceito e a exclusão social. Nesse cenário, criou-se a luta pelo empoderamento negro, a fim de desmistificar ideologias dominantes. 
   
Disponível em:
Além disso, é recorrente nas mídias é o grande número de ataques racista praticado por internautas, seja pela intolerância às características físicas das pessoas negras seja pelo próprio preconceito a religiões afro-brasileiras. 
    Temos conhecimento que com acesso mais rápido às informações e, principalmente, com a crença do anonimato na internet essas problemáticas vem aumentando. Contudo, como Jenkins (2009) afirma, acerca da cultura participativa, as informações atualmente são manifestadas em diferentes veículos de comunicação; assim toda e qualquer pessoa pode manifestar sua opinião, permitindo aos movimentos negros em redes sociais, como as páginas de empoderamento negro, discutirem esses ataques raciais, proporcionando o esclarecimento e o engajamento cada vez maior. 

Disponível em:
     Dessa forma, é possível compreender a importância de discutir a temática no âmbito escolar utilizando como ferramenta as mídias sociais, visto que, como afirma Oliveira (2008), nas escolas há ainda uma falta de discussão e materiais didáticos que contemplem parte da cultura negra para os alunos. A afirmação de Oliveira encontra na perspectiva de Martin-Barbero (2014) plena consonância, visto que o pesquisador defende que a escola ainda continua apresentando a visão histórica a partir do olhar da minoria dominante, distanciando a maioria das suas ânsias e lutas.
     Em suma, a escola é um espaço de aproximação de toda forma de pluralidade e, para Freire (2015), essa diversidade deve ser respeitada. Ademais, para combater o preconceito racial na sociedade a escola é um agente fundamental, assim outro saber repassado por Freire é fundamental: o pensar certo ou pensar crítico, para isso, o educador precisa ser um problematizador, formando, a partir disso, educandos críticos.         

Planejamento da Oficina
Tema: Da conscientização ao empoderamento negro nas mídias sociais
Objetivo geral
ü  Discutir a importância da cultura negra para história e para pluralidade do Brasil usando as mídias sociais.
Objetivos específicos
ü  Compreender, por meio de pesquisa na internet, as causas e as consequências do preconceito com religiões de matrizes africanas.
ü  Diferenciar os conceitos de empoderamento e apropriação cultural circulantes nas mídias sociais e seus sentidos literais.
ü  Reconhecer na literatura a presença dos povos afro-brasileiros.
ü  Elaborar textos informativos para o Facebook acerca da pluralidade cultural no Brasil.
ü  Produzir propagandas conscientizadoras para o Facebook acerca da herança cultural negra no Brasil.

Justificativa


A sociedade brasileira tem sido destaque, nos últimos tempos, nas mídias pelo grande número de ataques racistas, principalmente na internet. Entretanto, observamos, também, a mobilização de movimentos negros que se empoderam diante dos diversos preconceitos existentes. A internet tem sido uma ferramenta muito necessária para promover discussões, bem como propiciar uma interação acerca da determinada questão. Nesse viés, vale ressaltar um dos objetivos existentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs):
[...] conhecer características importantes do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais [...]. (Parâmetros Curriculares Nacionais. p. 07).
            Além disso, em 2008 foi aderida às escolas a Lei 11.645, que tem como objetivo proporcionar aos estudantes um estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena. Mas, esse assunto ainda tem sido um tabu dentro da escola, uma vez que faltam informação e debate acerca do tema. Com base na necessidade de debater a questão, propomos uma oficina em que o educando identifique, a partir do seu cotidiano, tanto a persistência do preconceito quanto a importância cultural da herança deixada pelos povos afro-brasileiros. Ademais, considerando a ampla repercussão de informações nas redes sociais, escolhemos esta ferramenta como um recurso didático e destacamos a importância de trabalhar com vários recursos transmidiáticos a fim de expandir o conhecimento para além da sala de aula.


Metodologia

      A partir de uma oficina de 20 horas, pretende-se discutir com os alunos do terceiro ano a importância cultural das heranças de matrizes africanas para a pluralidade cultural do Brasil. Para isso, utilizaremos como base informações constantemente vinculadas às mídias, seja para identificar o preconceito, seja para discutir importantes conceitos das lutas do povo afro-brasileiro. Além disso, é parte importante desta metodologia a ferramenta de comunicação “Facebook”, pois, como objetivo final e avaliação para os alunos, pediremos a criação de propagandas acerca das heranças culturais deixada pelos povos africanos: culinária, música e afins, as quais serão publicadas em uma página criada para a aplicação da oficina.
Recursos didáticos: Datashow, computador, celular, recursos audiovisuais e material impresso.
Público alvo: 3ª ano do ensino médio.
Duração: 20 horas, divididas em 5 aulas de 4 horas.


Planos de aula:
Aula 1:

1º momento (1 hora): inicialmente relembraremos o processo de colonização do país, fato importante para tratar a miscigenação no Brasil, utilizaremos um poema falado de “O navio negreiro”

 
      

Focaremos, então, na vinda dos africanos escravizados e seus traços culturais, para podermos iniciar a conversa sobre as religiões de herança africana.
2 º momento (30 min): a partir deste momento, conduziremos uma roda de conversa, na qual questionaremos o que os alunos conhecem e como se sentem em relação às religiões Umbanda e Candomblé.
3º momento (1 hora): exibiremos um vídeo veiculado no Facebook, no qual uma diretora manifesta-se de forma preconceituosa sobre uma entidade do candomblé (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8Fi7kveEItU.), a fim de discutirmos com os alunos o olhar negativo que carregam algumas religiões em decorrência da falta de informação do senso comum.
4º momento (1 hora): pediremos aos alunos que pesquisem na internet textos que abordem a temática do preconceito acerca das religiões de matrizes africanas para serem postados em uma página do Facebook criada para realização da oficina, na qual a temática central será a conscientização social acerca da importância cultural dos povos afro-brasileiros para a pluralidade do país.
5º momento (30 min): auxiliaremos os alunos nas publicações dos textos escolhidos na página do Facebook.

Aula 2:

1º momento (30 min):  introduziremos a aula com a conceituação de apropriação cultural e empoderamento negro, a fim de mostrar aos estudantes o sentido real destas ideias.
2 º momento (1h30): Em seguida, mostraremos um caso repercutido no Facebook sobre apropriação para discutir o uso inadequado do conceito. Para contrapor esse comportamento, exibiremos um vídeo explicando o conceito real.


3º momento (1hora): Por fim, exibiremos um vídeo (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gSk4egmHZYM) para discutiremos como as mulheres negras têm utilizado o cabelo black como forma de empoderamento negro e como isso tem repercutido na sociedade de forma positiva e negativa.
4º momento (1 hora): conduziremos uma roda de conversa para discutir os conceitos expostos nos vídeos.

Aula 3:

1º momento (30min):  introduziremos a aula com o depoimento da professora Tereza de Moraes, docente de Letras da PUC, no qual ela narra algumas aparições dos afrodescendentes em diferentes períodos da literatura


2 º momento (1h30): mostraremos como alguns escritores brasileiros retomaram o negro na literatura, introduzindo com o poema “Vozes d’África” de Castro Alves (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xuIzV7zpvPw&t=58s).
3º momento (1hora): pediremos que eles pesquisem na internet poesias e músicas que retratem a luta do povo negro.
4º momento (1hora): auxiliaremos na elaboração de publicações para o Facebook com as poesias e músicas encontradas dialogadas com artes visuais.

Aula 4:

1º momento (1 hora): iniciaremos a aula mostrando aos alunos o que é um artigo de opinião. Esse tipo de texto está sempre presente nas mídias, por isso explicaremos a importância de expor ideais pessoais por meio da escrita e qual a linguagem adequada eles devem utilizar para apresentar ao leitor.
2 º momento (30 min): utilizaremos o texto da Djamila Ribeiro, publicado no site Carta Capital, como exemplo de artigo de opinião. Esse texto pode ser encontrado em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/racismo-reverso-e-a-existencia-de-unicornios-205.html.
3º momento (1 hora): a partir da leitura do texto iremos propor uma pequena discussão a cerca do tema e da estrutura do texto.
4º momento (1h30 min): mostraremos o vídeo “Apropriação cultural existe? Pode branca usar turbante?”, de Nátaly Neri. Pediremos que a partir desse vídeo os alunos façam um pequeno artigo de opinião e postem na página do Facebook.

Aula 5:

1º momento (1h30min): nessa última aula explicaremos acerca do gênero propaganda como um meio de frequente nas mídias. Abordaremos os textos e as imagens que são utilizadas nas propagandas.
2 º momento (30 min): traremos exemplos de tipos de propagandas que circulam com mais frequência nas mídias.
3º momento (1 hora): apontaremos a propaganda informativa como um meio para conscientizar e trazer novos conhecimentos para o interlocutor. Traremos como exemplo a propaganda da Unicef, “Campanha por uma infância sem racismo”.
4º momento (1 hora): pediremos que os alunos produzam memes de cunho informativo para ser exposto na página do Facebook.
Avaliação

A tarefa avaliativa consistirá na seguinte produção: os alunos irão propor propagandas de conscientização acerca da cultura afro-brasileira. Eles devem fazer anúncios por meio de memes, GIF’s ou até mesmo vídeos de pouca duração que retratem a influência da cultura negra na sociedade brasileira. Essas propagandas serão postas na página do Facebook que foi criada pela classe.


Referências Bibliográficas

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2015. 
JENKIS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Editora Aleph. Disponível em:http://lelivros.online/book/baixar-livro-cultura-da-convergencia-henry-jenkins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/
MARTIN-BARBERO, Jesus. A comunicação na educação. São Paulo: Editora Contexto, 2014. 
OLIVEIRA, Kiusam Regina de. Candomblé de Ketu e educação: estratégias para o empoderamento da mulher negra. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, 2008.