sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Globalização em Sala de Aula

Universidade Federal do Pará
Instituto de Letras e Comunicação
Faculdade de Letras
Disciplina Recursos Tecnológicos
Professora Ivânia Neves
Dezembro/2013

Amanda Carvalho
Ivone Lopes
Mayara Gemaque
Rafaella Raiol

Existem algumas divergências em relação ao período que marca o início do processo de globalização. No entanto, podem-se apontar três fatos como fundamentais para explicá-lo:
a) As Grandes Navegações;
b) A queda do socialismo (e, por consequência, o fortalecimento do sistema capitalista); e
c) A Revolução Industrial.

Estes três acontecimentos são bastante coerentes para justificar o início da Globalização, porque são fatos históricos que priorizaram o comércio, o lucro e a necessidade de expandir as relações econômicas e comercias entre os países.

Renato Ortiz (1996) considera a globalização como um fenômeno econômico, que visa à expansão em rede mundial das grandes corporações empresariais, que necessita de determinar algum código comum, para funcionar melhor o fluxo de comunicação. Esta padronização de mercadorias e consumo evolui para os Standards, ou seja, um conjunto de ser e ter em comum com as outras sociedades do mundo. Segundo este autor, quando se chega a este ponto, não se fala mais em globalização, mas sim em mundialização, que extrapola a variável econômica, pois avança sobre as várias culturas, impondo, às diferentes sociedades, valores de caráter universal via consumo. Por outro lado, este sistema esbarra na diversidade cultural dessas sociedades, que possuem suas tradições e valores específicos.

O mercado global tornou-se hábil em driblar esses empecilhos, de forma sutil e sedutora a partir de vários mecanismos. Surge entre a eles a glocalização, termo originado pelos japoneses que definem o fenômeno como glocalize, no sentido de adaptar o produto global ao local. Roland Robertson (1995) conceitua glocalização como um conjunto de ajustes aos sistemas de produção e operação feitos pelas empresas mundiais em suas unidades espalhadas pelo mundo, com o intuito de estabelecer um sentimento de empatia com esse público.

O conceito de glocalização pode ser associado à definição de hibridização cultural, que é um fenômeno típico dos grandes centros urbanos, pois neles há uma mistura de diversas culturas, religiões e raças de todo o mundo. Ocorre uma síntese resultante da tensão entre valores universais e locais. A principal característica deste processo é a mistura da cultura mundial com a local, que resulta em uma nova cultura não mais local, nem mundial, mas um misto de ambas.


A publicidade tem um papel fundamental para a expansão desses fenômenos, tão importante quanto o papel da língua inglesa no mundo atual. A mensagem publicitária, na condição de produto cultural, deve ser entendida como a produção de um discurso sobre o objeto de consumo.

Assim, empresas como a Coca-Cola difundem sua marca em mercados de todo o mundo, utilizando um discurso comum às pessoas, como por exemplo, o slogan que divulga em seu comercial “abra a felicidade”. Afinal de contas, todas as pessoas do mundo desejam a felicidade! Dessa forma, uma empresa mundial consegue difundir sua marca em todo o mundo por meio de seu discurso que pretende agradar ou tentar agradar a diversos mercados.


O mundo contemporâneo vive uma profunda revolução das novas tecnologias de informação e o que se destaca nesse processo é o uso do computador. Esse processo traz consigo impactos devastadores aos países periféricos e em via de desenvolvimento, ou seja, a globalização manifesta-se de forma desigual. Por ser um conjunto de processos que se expandem com a internacionalização do capital financeiro, tem-se como a consequência mais visível dessa realidade o egocentrismo, ou seja, os individualismos na vida econômica, política e social, determinam por transformar as pessoas em coisas.

Tem-se a ideia de que o mercado resolve todos os problemas das sociedades modernas. Isso é uma ideia falida, pois a lógica de mercado tem criado muito mais conflitos e rivalidades do que soluções para os problemas sociais. Portanto, não é admissível que as inovações tecnológicas sejam utilizadas para provocar desemprego e multiplicar a pobreza, pois elas deveriam servir para reduzir a jornada de trabalho, propiciar melhoria na qualidade de vida e proporcionar bem-estar para os trabalhadores e todos os cidadãos.

O paradoxo está justamente nisso: todos estão envolvidos no processo de globalização, mas nem todos usufruem das vantagens desse processo. Alguns são atores principais, enquanto outros são meros coadjuvantes.
Acreditamos que é necessário desenvolver metodologias mais elaboradas e com objetivos bem definidos em sala de aula, para que professores e alunos consigam discutir a respeito da Globalização e seus reflexos, assim como utilizar positivamente as tecnologias nas práticas de ensino.
REFERÊNCIAS
JENKINS, Henry, "Cultura da Convergência". São Paulo: Aleph, 2008.

KELLNER, Douglas; SHARE, Jeff. "Educação para a leitura crítica da mídia, democracia radical e a reconstrução da educação". Educ. Soc., Campinas, vol. 29 - n. 104 - 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300004

ROBERTSON, Roland (1995). “Glocalization: Time-Space and Homogeneity-Heterogeneity” in Featherstone, Mike, Robertson, Roland & Lash, Scott. Global Modernities. London: Sage Publications, 1995.

TRINDADE, Eneus. "Os processos de significação na globalização: o papel da publicidade". Universidadede São Paulo – ECA, Vol. 14 – Ano 33 – Nº 1 – 2009